Monthly Archives janeiro 2012

As regras para estar na piscina olímpica

A Federação Internacional de Natação – FINA, publicou recentemente o regulamento para atletas de natação classificarem para as XXX Olimpíadas, em Londres. Abaixo alguns destaques:

O número máximo será de 900. Desnecessário dizer que isso é uma condição para o Comitê Organizador poder programar o evento com segurança;

As provas não mudam, continuam sendo 14 individuais mais 3 revezamentos, tanto no masculino, quanto no feminino;

Nas individuais, o máximo são dois atletas por país. Apenas um país por prova de revezamento e 16 países em cada prova;

Perdura também a possibilidade de reservas para os revezamentos, numa evidente vantagem para os EUA (e outros poucos países que podem se dar ao luxo de poupar seus melhores nadadores nas eliminatórias);

Os 17.500 expectadores vão ver 900 nadadores nesta piscina. (crédito: Hufton + Crow)

Basicamente são 4 as formas de conseguir a vaga:
A – Nadar abaixo dos índices A e estar entre os 2 melhores do país;
B – Estar em um revezamento;
C – Estar em um país onde a natação é fraca e vão mandar apenas um representante masculino e um feminino (devem ter disputado o Mundial ano passado); e
D – Pegar o índice B e estar entre os melhores.

Os tempos válidos são dos 15 meses anteriores às olimpíadas;

A data máxima é 18 de Junho, com exceção dos revezamentos, que é dia 1 de Junho;

Apenas os eventos reconhecidos pela FINA terão seus tempos validados.

Vamos lembrar, através deste vídeo, porque as regras de participação ainda são polêmicas:


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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Nadador(a) modelo?

Ano olímpico é um dilema. De um lado, oportunidades surgindo para os atletas em evidência. Por outro, esta rotina de nadador-ator-modelo não é a mais recomendada neste período onde os detalhes de treinamento – e seu descanso – fazem a diferença entre uma final, uma medalha…

Só em uma sessão de fotos, vai fácil-fácil meio dia.

Cesar Cielo já limpou um pouco desta agenda ao recusar a participação na maioria (todos?) dos programas de televisão (de rádio então…). Para aqueles que não tem noção, como não sobra muito tempo livre para um atleta do nível dele, estes eventos consumiriam inevitavelmente parte do seu sagrado descanso. Ao priorizar o marketing e também treinos e competições fora do Brasil, Cielo dá a mensagem clara que não pode conciliar tudo, desagradando alguns que insistem em não entender a atitude.

Kaio Márcio é outro que serviu de propaganda para um projeto do Rio.

Fabiola Molina é uma exceção. Consegue ter múltiplas atribuições, entre nadadora e empresária, passando por esposa e amiga! A notícia da ampliação de sua suspensão não abalou a nadadora. Pelo contrário, dá sinais claros que continua empolgada e treinando como nunca. Treinando com o medalhista olímpico Sergio Lopez na Flórida, ela ainda encontra tempo para ser modelo de sua própria grife.

Assim, nomes como Poliana Okimoto, Kaio Márcio, Gracielle Hermann, Thiago Pereira, Guilherme Guido, entre outros, são requisitados para campanhas, propagandas, comerciais, aniversário de 15 anos…

Propaganda dos Correios após a campanha do Pan.

Propaganda com Poliana. (crédito: alguém do Facebook)

Gracielle Hermann, com uma maquiagem estranha. (crédito: Vipcomm)

E para quem viu até aqui, vale rever a propaganda dos ex-pombinhos Stephanie Rice e Eamon Sullivan, ambos medalhistas olímpicos:


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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O doping e a natação brasileira, algumas estatísticas alarmantes

Fabíola Molina está suspensa por mais 4 meses (a partir de 20 de Dezembro de 2011) pelo doping burro que cometeu.

Ela já sabia desde o final do ano passado sobre a decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS) de seis meses de suspensão, ampliando os 2 meses já dados pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, o que deixa apenas mais duas chances para carimbar seu passaporte para Londres.

O ano olímpico começou quente para o esporte brasileiro. Infelizmente, as notícias sobre doping pipocaram, com o possível retorno dos técnicos de atletismo, o revés do ciclismo e também do nosso único laboratório antidoping (leia uma matéria de quase 5 anos atrás), o Ladetec, tendo um tipo de exame suspenso pela Agência Mundial Antidoping (WADA).

Apenas a FINA, aplicou mais de 1500 exames nos esportes aquáticos em 2011. Dos 16 casos analisados ano passado, 1/3 é de brasileiros. 2010 foi menos traumático, mas dos 31 casos de Federações Nacionais, 5 eram daqui. Aliás, nos últimos dois ciclos olímpicos, apenas em 2008 não tivemos caso. Mas o que antes era fato isolado, parece uma epidemia agora.

Mais uma dose? É claro! É claro que eu tô afim… (Barão Vermelho)

A CBDA tenta alertar seus atletas através de notas regulares, como o da semana passada (que tem um pequeno erro, depois alguém vê e escreve aqui), mas a guerra precisa de mais soldados. Mais investimento público no laboratório privado? Campanhas direcionadas aos atletas e técnicos (sim, não se esqueçam deles)? Punições mais rigorosas para dar o exemplo, inclusive para quem mais estiver envolvido (farmácia, laboratório, médico, pai, clube, federação, poder público, etc)? Divulgação dos efeitos colaterais do doping? Multas? Maior controle alfandegário? Formação de especialistas? Debates?

Não tenho dúvidas de que, assim como outros problemas de drogas, a solução para o doping esportivo é complexa. Mas é evidente também que com as Olimpíadas do Rio 2016, a ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) faça a sua lição de casa e comece logo uma de suas atribuições, a de “Coordenar iniciativas conjuntas relacionadas a planejamento, pesquisa, controle e prevenção de dopagem junto às entidades componentes do Sistema Nacional do Desporto, bem como perante o Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Paraolímpico Internacional e demais entidades envolvidas com o esporte.”

Vejam o vídeo (quase esquecido) da Unesco:

E esta divertida matéria:


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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Minha biblioteca

Fim de semana de um morno janeiro, decidi dar uma arrumada nos meus livros, muitos ainda nem iniciados. Notei então minha coleção sobre natação, boa parte adquirida durante os Jogos Olímpicos de Sydney. Na verdade, na aclimatação em Canberra. Num dos momentos de descontração, visitamos o centro da cidade e seu comércio e, pelo fato das olimpíadas estarem sendo realizadas lá, fiquei impressionado com o número de publicações relativas ao tema e, mais especificamente, em heróis olímpicos.

Abaixo, listo alguns que comprei na época:

Dopada ou não dopada, eis a questão.

Gold: A Triple Champions Story – Conta a história da irlandesa Michelle Smith. Quem? Pois é, esta ilustre desconhecida do público tem 3 (TRÊS) OUROS OLÍMPICOS. Mas além de desconhecida, ela teve suas vitórias sob suspeita de doping. O livro conta a versão desta história, desta campeã olímpica que chegou a nadar por clube brasileiro.

Talbot: The Don of Australian Swimming – Na época o subtítulo era Nothig but the best, talvez mais presunçoso que o atual. Discorre sobre a longeva carreira (mais de 50 anos) deste que em 2000 era o técnico principal da Austrália. A visão de um treinador sobre o que é preciso para chegar lá.

Minha capa é essa.

Dawn: One Hell of a Life – O nome diz muito de Dawn Fraser, tri-campeã olimpíca na mesma prova, os 100m livre (apenas ela é a húngara Krisztina Egerzegi alcançaram a façanha). Recordista mundial dos 100m livre por 15 anos (!), primeira a abaixar o minuto na prova, ela ficou ainda mais conhecida quando roubou a bandeira olímpica do palácio japonês. Foi presa e banida por 10 anos, mesmo com seus resultados. O que aconteceria com alguém com este currículo no Brasil?

Gold in the Water: The True Story of Ordinary Men and Their Extraordinary Dream of Olympic Glory – Como é o dia a dia de um time de nadadores que tem a ambição de ser o melhor entre os melhores? Talentosos, de características muito distintas, como os treinadores lidavam com isso?

Grant Hackett: seu recorde sobreviveu a era dos maiôs tecnológicos.

1500: The Story of Australia’s Race – A prova mais longa das piscinas sempre teve destaque dos australianos. Qual a fórmula? Eles tem mais fundistas porque tem bons resultados; ou tem bons resultados porque tem mais fundistas?

Tumble Turns: The Autobiography – Shane Gould foi precoce em tudo. Única recordista mundial dos 100m aos 1500m livre, aos 16 ganhou 3 ouros, uma prata e um bronze nas Olimpíadas de Munique e é isso. Aposentou! Foi virar dona de casa e sumiu do estrelato. Sua carreira de apenas 3 anos havia sido intensa o bastante. Nesta autobiografia ela conta como o sucesso olímpico mudou sua vida.

Ian Thorpe: the Biography – Tinham outros livros sobre o maior nadador australiano em 2000 (de fato, segundo o livro, maior atleta, batendo o tenista Pat Rafter), mas biografia sempre chama atenção. Esqueça o retorno de 2011, aqui fala sobre a cabeça de um jovem que foi campeão mundial aos 14 e a pressão de ganhar em casa, algo que os nadadores brasileiros vão ter que lidar daqui a 4 anos.

Laurie: você colocaria seu filho para treinar com este cara?

Five Ring Fever: Winning is Contagious – Já ouviu falar na expressão “no pain, no gain”? Pois bem, o técnico Laurie Lawrence e seus nadadores sabem bem o que é isso. Ele ficou famoso quando seus pupilos derrotaram os favoritíssimos Michael Gross e Matt Biondi. Quer saber mais como vencer é contagioso?

The Swim Coaching Bible (The Coaching Bible Series) – Deixei este por último de propósito. Este não comprei na Austrália (provavelmente já pela Internet). Dicas de técnicos de vários recordistas mundiais foram compiladas nesta “Bíblia” que terá seu segundo volume lançado este ano.

Técnicos: 20 de abril sai o volume II

Com as Olimpíadas daqui a 4 anos em solo brasileiro, já deveríamos ter mais livros sobre os que obtiveram sucesso e aprender com os acertos e erros deles. Mas livro sobre natação no Submarino? Apenas 42, a maior parte deles genérica. Enquanto isso uma Amazon revela 1.961 (filtrei em Sports & Outdoors). Não seria exagero dizer que quase todo treinador ou atleta de sucesso tem ao menos algumas páginas registrando o porquê.

Gustavo Gustavo Borges: aprenda com este medalhista olímpico, com os demais tá difícil.

Enquanto isso, se procuramos o que Manoel dos Santos fez para ser recordista mundial, temos que rever alguma de suas entrevistas que falam de um precursor brasileiro nos 100m livre. Livros sobre Ricardo Prado, Tetsuo Okamoto, Fernando Scherer – todos medalhista olímpicos – para quê? Gustavo Borges e Maria Lenk são os únicos que tem algo nas livrarias pois, por incrível  que pareça, nem toda experiência de Cesar Cielo atraiu as editoras…


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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199, e contando…

Sim, a contagem regressiva para Londres 2012 já começou. As maiores potências mundiais da natação vão ter ainda suas fortes seletivas para definir as seleções nacionais, enquanto a maioria tem uma política de índices. Vamos aos prós e contras de cada sistema.

Lochte e Phelps, os dois melhores do mundo precisam passar pela seletiva antes de Londres.

Peguemos a seletiva americana. Aqui, quem garante a vaga, fica quase que automaticamente credenciado a ser medalhista olímpico! Dizem que a pressão é maior que uma final olímpica e deve ser, pois vários recordistas mundiais ficaram para trás. Agora, o que mais me intriga é a época realizada: apenas 3 semanas antes dos Jogos Olímpicos. Os defensores deste sistema dizem que assim os norte-americanos tem a melhor equipe naquela época, enquanto os críticos falam que o desgaste é tão intenso que não há tempo para plena recuperação.

Ambos estão certos nos seus agumentos, mas ainda acho que esta proximidade, no caso deles, traz mais benefícios. Claro que encontramos casos em que os atletas simplesmente somem, mas os olímpicos americanos são um seleto clube de 0,0004% de todos os nadadores registrados na US Swimming! Mais um pouquinho e fica mais fácil de ganhar na mega sena (0,000002%)…

Rogan, Cseh e um inglês, 200m medley no Europeu de 2010. (Eurosport.com)

Agora vamos ao processo de uma Áustria ou Hungria, de dois adversários de Thiago Pereira nos 200m medley, Markus Rogan e Laszlo Cseh, respectivamente. Provavelmente eles já sabem que estarão em Londres (assim como Thiago) e, com isso em mente, já estão treinando pensando numa final olímpica, enquanto os favoritos ao título, os americanos Ryan Lochte e Michael Phelps -os melhores do mundo, ainda precisam provar que estão entre os dois melhores dos EUA.

Por outro lado, não treinam sua cabeça para o stress imenso que é este tipo de competição (se perder este momento, só daqui a 4 anos), o que pode ser uma vantagem competitiva para aqueles que passam pelo teste mental de uma seletiva. De qualquer modo, teremos os mais bem preparados na capital inglesa.

Vamos recordar a final dos 200m medley de Beijing. E, enquanto isso, o hotsite da seletiva americana nos diz: faltam 166 dias, 5 horas, 12 minutos e 27 segundos, 24, 21…

Ah, sim. Parabéns ao nosso campeoníssimo Cesar Cielo pelos 25 anos de vida – jé veterano de ótimos resultados!


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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Primeiro post do Ano Olímpico

Estou de volta e agradeço mais uma vez a confiança do pessoal do iG.

E este ano promete, por estarmos a sete meses das provas de natação em Londres, que iniciam no dia 28 de Julho. O guia oficial já está à venda, incluindo imagem do nosso melhor atleta, Cesar Cielo, que no final do ano foi, pela terceira vez, condecorado pelo Comitê Olímpico Brasileiro com o Prêmio Brasil Olímpico.

Murer e Cielo: melhores entre os melhores (Crédito: Wander Roberto / COB)

Mas antes de integrar a equipe olímpica, os nadadores brigam por uma vaga nas centenas de competições que servem de seletiva desde março de 2011. No Brasil não é diferente, e já começa a ter uma disputa interna até pelas duas vagas limitadas por prova (4 nos 100m peito, por exemplo).

Fischer, em uma de suas inúmeras vitórias. (crédito: Satiro Sodré)

Falando no nado de peito, tivemos a aposentadoria de um dos maiores peitistas do Brasil em 2011: Eduardo Fischer, que escreveu em seu blog sobre esta fase de sua carreira. Além dele, a carioca Monique Ferreira também abandonou as piscinas no ano passado. Ambos 31 e tiveram duas participações olímpicas. Boa sorte para os dois!!

Evans: enquanto não nadava, escrevia e dava palestras motivacionais.

E voltando da aposentadoria (ano olímpico, alguns atletas aproveitam para aparecer mais), a lendária Janet Evans, 40, volta às piscinas. Sua última competição oficial foi nas olimpíadas de Atlanta em 1996, 15 anos atrás! E ela alerta: “Não posso tirar meu espírito competitivo: se estou fazendo isso, quero fazer bem.” Prova disso foi que em seu retorno, ainda em competição master, no ano passado, já bateu dois recordes. Aliás, seus recordes mundiais duraram quase duas décadas para serem quebrados (quem sabe não estariam até hoje se não fossem os supermaiôs?). Semana que vem ela compete em um Grand Prix nos EUA.

Em sua homenagem, um comercial da atual recordista mundial dos 800m livre, a inglesa Rebecca Adlington:


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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