Monthly Archives setembro 2013

Treinando com o técnico do Phelps

Acabei de ler um post no Facebook bem bacana do nadador Gabriel Fidélis e acabei lembrando da época em que investi na empreitada de treinar nos EUA, ou quase, como costumo dizer, uma fez que Coral Springs é na Flórida.

Os sentimento que ele teve foram semelhantes aos meus, na parte de treinamento, equipe. As semelhanças acabam aí, enquanto ele deve estar apenas iniciando uma carreira, eu estava tentando, aos 30, curtir o máximo do que seria meu (pen)último suspiro. Campeões olímpicos? Maior estrela da equipe era justamente um brasileiro: Xuxa Scherer. Muitos adolescentes americanos.

Espero que ele tenha a sorte de encontrar o sucesso que tive nos meus 15 meses.

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Bob e – provavelmente – Gabe: treinando entre os campeões. (FB)

Segue, na íntegra:

E ai pessoal, ontem completou 1 mês que estou aqui em Baltimore treinando no NBAC e quero compartilhar com quem esteja interessado essa minha experiência que tem sido muito interessante. Aqui no NBAC( North Baltimore Aquatic club) meu treinador é o Bob Bowman, que foi o primeiro e único técnico do Michael Phelps e diversos outros atletas campeões mundiais e olímpicos, a equipe é formada por 10 nadadores e 7 deles são campeões Olímpicos em Londres 2012. As primeiras semanas foram realmente muito difíceis, os treinos aqui são muito volumosos com intervalos muito curtos, bastante medley e principalmente muito trabalho de perna. Tenho me adaptado rápido mas ainda continua difícil porque com o passar das semanas o volume vai aumentando, estamos nadando em torno de 14 km por dia divididos em 2 treinos e mais trabalho de
Musculação todos os dias. O que tem me impressionado bastante também são os tempos que os atletas fazem no treino mesmo na fase de base, já que as series são sempre progressivas e todo dia tem alguma coisa forte no final. Outro ponto positivo dos americanos é o espírito de equipe que eles tem, coisa que é difícil de se encontrar no Brasil, todos atletas aqui são tratados como iguais e não existe privilégios se você é campeão Olímpico ou não, estão sempre motivando uns aos outros, elogiando e também se necessário criticando, mas com críticas construtivas como por exemplo falando sobre sua técnica de nado. Não é comum se ver alguém reclamando de treinos difíceis ou intervalos curtos.Todos aqui tem um objetivo em comum que no caso, é ser o melhor. Bom, por enquanto é isso. Grande abraço a todos e bons treinos.

“That which does not kill you has the potential to make you stronger. Will you let yourself be defeated or will you prevail? It is a choice!”

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A primeira Olimpíada a gente nunca esquece: 25 anos de Seul

No dia 22 de setembro de 1988 eu estava caindo na piscina olímpica de Seul para minha primeira prova em Jogos Olímpicos. Mas minha memória vai muito além daquele 200m costas.

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E não é que está bacana até hoje?

Desde o índice olímpico nos 100m costas no início do ano, feito no clube que treinava, o extinto Clube do Golfinho, passando pelo Sul-americano na altitude de Medellin com o índice nos 200m, e diversos testes com Dr Mazza.

Mais, toda a seleção de natação se preparando junta. Uma radical dieta, com a tentativa – frustrada – de tentar impor o consumo mínimo de açúcar. A viagem, a vila, a abertura.

Enfim, tenho mais detalhes desta preparação do que qualquer outra. Mas porque? Pois, meu debut olímpico.

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Montagem da SwimVortex das fortes nadadoras alemãs.

Recordo praticamente todas as provas, afinal acompanhei a grande maioria como fã do esporte que ainda sou. Não consegui ver todas apenas por estar como atleta…

Acompanhar Salnikov vencer os 1.500m livre e depois ser aplaudido – de pé – no refeitório por atletas de modalidades e países distintos.

Biondi naufragar no sonho das 7 douradas logo na sua primeira prova, mas se recuperar e fazer história. Kristin Otto puxando as alemãs bombadas com seus 6 ouros. Egerszegi iniciar aos 14 aninhos uma carreira incrível (com um estilo espetacular). Outro húngaro perdendo os 100m peito por UM mísero centésimo, o mesmo da vitória inédita de Nesty. Darnyi consagrando a Hungria no medley. Surgimento e desaparecimento do australiano Duncan Armstrong. As braçadas incansáveis de Janet Evans, única a furar o leste europeu.

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Meninos, eu vi a Ratinha ganhar seu primeiro de cinco ouros.

Do lado brasileiro, certamente o recorde olímpico na estreia nos Jogos dos 50m livre de Mônica Rezende.

Ainda ver um Conan e Exterminador Shwarzenegger na arquibancada e muitos ídolos esportivos, nacionais e internacionais!

Ufa! Ah, nadei também. Nas eliminatórias bati o recorde Sul-americano de um dos ícones da natação brasileira, Ricardo Prado, e já estava feliz da vida com isso. Mas o quarteto feminino que iria disputar o revezamento logo depois lembrou que eu podia ter pego final – o que realmente aconteceu.

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Biondi: o torpedo de Moraga.

Nadei e fiquei em oitavo, ou último, como algum jornalista comentou, com dois centésimos de diferença da manhã. Isso quer dizer: era realmente a minha melhor prova que poderia fazer naquele momento. De quebra, deixei um espanhol que seria recordista mundial para trás…

Não interessa, estava muito feliz. Ainda nadei os 100m e o revezamento. Para completar, na volta parei na terra dos meus ancestrais e também no Havaí! Como esquecer estas coisas, mesmo 25 anos depois??

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Única abertura que participei, com o uniforme sopa de letrinhas.

PS: este é um post para ex-nadadores (afinal os novos não sabem/conhecem nem metade do que escrevi aqui).

PS2: Foi colocado ao ar à meia noite e um… de Seul.

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Porque não valorizamos nossos técnicos?

Lendo a matéria do técnico da Katie Ladeckie ser consagrado como o melhor do ano na convenção dos treinadores de natação americanos, fiquei imaginando porque estas duas iniciativas – básicas – simplesmente não foram implantadas no Brasil até hoje.

Recentemente, o COB criou a Academia de Treinadores, preenchendo uma lacuna histórica de capacitação continuada dos nossos melhores técnicos.

Embora, no meu entendimento, ainda falte uma disseminação e interesse maior, ninguém pode dizer que foi uma má iniciativa.

Eles, que muitas vezes passam mais tempo com os atletas do que a própria família, são peça fundamental para uma sustentabilidade na formação e aperfeiçoamento.

Mas, estão porque não são valorizados e porque não constituem uma classe para trocar experiências, fortalecer o grupo e, como consequência, valorizar o próprio trabalho?

Será que há interação entre os que estão começando uma carreira agora com a figuras carimbadas da seleção?

Sim, oportunidades existem, como os diversos torneios internacionais (Mare Nostrum, Copa do Mundo, Grand Prix, multinations,Mundial Júnior, etc), mas o ambiente é propicio para esta rica experiência?

Se o Brasil quer mesmo ter uma cultura esportiva, deveria olhar atentamente para aquele profissional que está diariamente como professor, psicólogo, amigo; e estes deveriam demonstrar que fazem a diferença na formação do atleta e também do cidadão.

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Mundial Júnior é o futuro da natação?

Ontem acabou a 4a. edição do Mundial de Júnior de Natação, em Dubai. Após uma semana de disputa, o Brasil finalizou em 8o, de 91 países, na pontuação. Se partirmos para o míope sistema de medalhas, cai para 15o.

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A imensa equipe brasileira: infra e suporte máximos para os juniores. (crédito: Satiro Sodré)

Isso quer dizer que o Brasil é uma potência júnior, com grandes perspectivas destes talentos virarem realidade em 2016 e a natação sair entre os 10 melhores também nos Jogos Olímpicos? Se pensarmos no (novamente) míope sistema de medalhas, sim, isto é possível. Afinal, a Lituânia ficou em 9o. em Londres, graça ao ouro de uma das estrelas de Dubai, Ruta Meylutite.

Austrália, vencedora em ouros, Estados Unidos e Japão, ficaram entre os 5 maiores medalhistas, tanto em Dubai, quanto em Londres. Se incluirmos a Rússia (4 em Londres e 26 em Dubai), teremos uma graaaande coincidência entre o sucesso destas equipes.

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Emirados Árabes Unidos: opulência no parque aquático.

O Brasil acabou com uma solitária prata de Pedro Vieira nos 100m borboleta e continua com apenas um ouro na história, graças ao ouro de Leonardo Guedes na edição de estreia no Rio de Janeiro. Além da medalha, foram 14 finais, isso na mais forte competição para esta faixa etária. Para se ter uma ideia, apenas 8 dos recordes de campeonato das 42 provas sobreviveram à chuva de recordes protagonizados em grande parte pela lituana e pelo australiano Mack Horton, os nomes do campeonato.

Este Mundial segue a cartilha dos Jogos Olímpicos da Juventude, como uma maneira de aumentar o interesse dos jovens nos esportes olímpicos. Tem provas que não são olímpicas e também os inusitados revezamentos mistos, como alguns dos trunfos. Mas isso não é garantia de público e não fica bem na televisão ver aquela enorme arquibancada semi-vazia.

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Svetlana Chimrova: nada menos que 9 recordes, tem a cara da nova Rússia.

Ainda tem uma resistência de alguns países em aderir, talvez por terem outras alternativas – e bem mais baratas – de dar experiência aos seus nadadores, mas pelo índice técnico de 2013, eu diria que os americanos não vão chegar mais em cima e outros países europeus talvez invistam para chegar em Singapura (que não participou em Dubai!) em 2015.

 

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