Categoria recorde

BCN 2013 finais 5: Thiago quebra tabu e cai mais um recorde mundial

Apenas no seu quinto mundial Thiago Pereira conseguiu uma medalha e por apenas um centésimo que ela não foi de prata. Os 3 do pódio olímpico dos 400m medley (Ryan Lochte e Kosuke Hagino) se reencontraram, invertendo as posições do brasileiro com o japonês. E esta medalha já transforma Barcelona na melhor campanha brazuca, mas aguardamos por mais!

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Thiago Pereira: pode morder que é de verdade.

Ou ao menos bons tempos e colocações, como o 4o. de Etiene Medeiros nos 50m costas, que apesar de ter uma troca de última hora dos seus óculos, deu sua melhor marca e melhor posição na história da natação feminina brasileira.

Marcelo Chierighini esteve em uma disputa que pela primeira vez viu 4 atletas (sem trajes) nadando na casa dos 47s. Ficou numa honrosa 6a. colocação na prova que deu o bicampeonato para James Magnussen. Mas apesar de uma temporada perfeita nesta prova, os americanos venderam caro, o que valorizou ainda mais sua vitória, após mais uma decepção para seu currículo no revezamento 4x100m livre. Quem assustou a todos foi o missil russo Vlad Morozov, com a passagem mais rápida da história (21.94) vai ser páreo duro para um tri inédito nos 50m livre de Cesar Cielo.

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Magnussen joga a responsa agora para sua compatriota Cate Campbell ganhar amanhã os 100m livre também.

O dia foi completo com mais um recorde mundial nas semifinais dos 200m peito, com Rikke Pedersen (2:19.11) tornando-se a primeira recordista mundial dinamarquesa desde 1956! E também mais uma dourada para Missy Franklin – não vai perder as contas: são 4. Ah, e o mesmo revezamento que deu ouro para a americana, deu prata para… Alicia Coutts!

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Pedersen: combinando cor da unha com elástico dos óculos (O Yakult veio de brinde).

 

 

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Barcelona 2013: finais 1

Destaques brasileiros:

  1. A veloz dupla Cesar Cielo e Nicholas Santos avança para a final dos 50m borboleta com os melhores tempos;
  2. Felipe Lima, ao abaixar por duas vezes sua marca e, pela primeira vez, do minuto nos 100m peito e, com isso, pegar uma final;
  3. O recorde sul-americano das meninas no 4x100m livre.

Destaques gerais:

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A ruiva Katie Ledecky absoluta na prova. (crédito: Victor Puig)

  1. O choro com a vitória fácil nos 400m livre de Sun Yang com 3:41.59;
  2. A alegria e vitória fácil nos 400m livre de Katie Ledecky, com o melhor tempo sem trajes tecnológicos e primeiro ouro para os EUA na prova em 22 anos!
  3. Os revezamentos 4x100m livre masculino, pela emoção; e o feminino, ao dar a 18a. medalha em mundiais para Natalie Coughlin.
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Mulherada americana foi bem nas primeiras finais.

Menção honrosa:
Andreina Pinto com seu recorde continental nos 400m livre. Com 4:06.02 a venezuelana abaixa sua própria marca de Londres 2012 em mais de 2s.

 

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Seletiva americana: cai recorde americano e de Phelps

Rachel Bootsma bateu o primeiro recorde americano na seletiva americana para o Mundial. O tempo de 27.68 nos 50 costas abaixa 12 centésimos da marca de Hayley McGregory, de 5 anos atrás.

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Bootsma, 19 com carinha de 15.

O outro recorde a mencionar da noite não veio da série dos vencedores dos 100 borboleta. Apesar de Eugene Godsoe ter derrotado Ryan Lochte e feito a 4a. marca do ano, foi na final B (disputa entre o nono e décimo-sexto) que Justin Lynch talvez comece a fazer história, ao retirar o nome de Michael Phelps do recorde da idade (15-16) na prova, com seu rápido 52.75. Lembrando que nesta idade, Phelps já disputava sua primeira olimpíada, ficando em quinto nos 200 borboleta.

Outro jovem que deseja estar no Rio daqui a 3 anos é Ryan Murphy, cujo recorde da idade (17-18) nos 100 costas é 7 décimos mais rápido que o segundo no ranking. – isso que ele ainda tem 17. Apesar de tudo isso, com o tempo de 53.38, sexta marca do ano, ficou em terceiro, perdendo a vaga para o mundial…

Acompanhe a declaração de Lynch após a prova:

 

 

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Troféu Maria Lenk: e o destaque de ontem foi um… argentino!

Nadando pela manhã, assim como nos 1.500m livre, o argentino Martin Naidich monopolizou os recordes de fundo na América do Sul. Nadando negativo (a segunda parte mais forte que a primeira), ele bateu o antigo recorde do brasileiro Luis Rogério Arapiraca, com seu 7:57.60.

Por enquanto, são os dois únicos recordes continentais estabelecidos no Maria Lenk.

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Naidich: melhoras grandes para o fundista.

 

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Cai recorde de 22 anos!

Krisztina Egerszegi é uma lenda. Foi a mais jovem campeão olímpica, nos 200m costas em Seul 88 (estava lá!), recorde depois batido por Iwasaki. Tornou-se a segunda tri-campeã olímpica, depois de Fraser. Eleita a melhor do ano em 1991, 93 e 95. pela revista Swimming World. E ainda tinha o recorde nacional dos 100m costas. Tinha. Até hoje, quando a incansável Katinka Hosszu abaixou em 7 centésimos o tempo de 1:00.31 de Eger, quando da sua vitória e recorde mundial em 1991.

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Egerszegi, 14, no meio de duas (?) alemãs.

 

 

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Troféu Maria Lenk: e o destaque do dia foi … um argentino!

Um estranho no ninho. Martin Naidich está nadando avulso o campeonato (o regulamento permite que nade as eliminatórias) pela segunda vez e tal qual a primeira, em 2011, abaixou muito sua marca para estabelecer um novo recorde sul-americano nos 1500m livre, com 15:10.24 – o primeiro da competição e seu. O antigo recorde era do seu compatriota, Juan Pereyra que até tentou recuperar sua marca (no caso, recorde argentino) à tarde, mas não conseguiu, apesar de obter melhor tempo pessoal, com 15:19:87. Luis Rogério Arapiraca, o antigo recordista, ficou em 2o.

Ano passado, Naidich já tinha aprontado no campeonato sul-americano, sagrando-se campeão nos 400m livre, com recorde de campeonato. Vamos ver o que o filho de nadadores masters vai fazer nesta prova no Rio de Janeiro.

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Naidich: ao lado da bronze olímpico, Georgina Bardach (a do meio)

A holandesa Inge Dekker (100m borboleta) e a argentina Julia Sebastian (200m peito) deixaram apenas duas provas para os brasileiros Gabriel Fidélis (200m peito) e Thiago Pereira (100m borbo). Mas não pensem que a vitória veio fácil para o prata olímpico, sua primeira nesta prova. Apenas 6 centésimos separaram ele e Kaio Márcio de Almeida, o terceiro colocado. De maneira semelhante, Fidélis ficou apenas 12 centésimos à frente dos olímpicos Henrique Barbosa, prata, e Tales Cerdeira, bronze.

O destaque negativo do dia foi a ausência de índices para o Mundial de Barcelona.

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Pereira vence, mas sem índice.

 

 

 

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Cinco olimpíadas e o objetivo de ser feliz

Publicado em Memória Olímpica
12/04/2012

Por Nayara Barreto e Thyago Mathias

“A natação brasileira tem evoluído muito, mas, por outro lado, houve uma decadência dos clubes que investiam nesses atletas. Hoje, menos clubes disputam os campeonatos regionais, estaduais e até nacionais. Além disso, o esporte ficou muito caro.”

Em 30 anos dedicados à natação, o paranaense Rogério Romero tornou-se o primeiro nadador no mundo a participar de cinco edições dos Jogos Olímpicos, de 1988 a 2004. Em quatro delas (Seul 1988, Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000), foi finalista olímpico. Trata-se do único nadador brasileiro a conseguir este feito.

Detentor de 29 recordes sul-americanos e 41 brasileiros, bicampeão pan-americano, 15 vezes campeão dos 200m costas no Troféu Brasil de Natação e 10 vezes campeão sul-americano na mesma modalidade, Romero compartilha um pouco de sua história com o Memória Olímpica nesta entrevista. Secretário adjunto da Secretaria de Esportes e da Juventude do Estado de Minas Gerais, casado com a ex-nadadora Patricia Comini da Silva Romero, ele diz que, além do desafio de desenvolver políticas públicas para o esporte, só tem como objetivo o de ser feliz.

Memória Olímpica: Você começou a praticar esporte muito cedo. Começou mesmo pela natação ou por outras modalidades?

Rogério Romero: Comecei realmente muito cedo, com cinco para seis anos. Meus três irmãos mais velhos já nadavam, então acabei seguindo um pouco a carreira deles. Naquela época, houve um incentivo maior dos meus pais, mas, ao fim, acabei gostando muito e me apaixonando pela natação, mas praticava outros esportes, sim. Na escola ou com os amigos… nada muito sério ou profissional. Comecei minha carreira na Associação Cultural Esportiva de Londrina (Paraná), onde fiquei até 1985. Depois, fui para Curitiba, onde fiquei até 1990 no Clube do Golfinho. Na minha primeira olimpíada, em 1988, em Seul (Coreia do Sul), ainda estava no Clube do Golfinho. Depois, vim para Belo Horizonte, para o Minas Tênis Clube, e participei das olimpíadas de 1992 em Barcelona. O esporte sempre esteve muito presente na minha vida.

MO: Depois de de dois Jogos Olímpicos, como ficou sua força de vontade para participar de outras competições?

RR: Quando participei dos Jogos de 1992, pra mim já tinham acabado os ciclos olímpicos. Naquela época, começava-se cedo e acabava-se cedo também. Então, na minha cabeça, já tinha dado minha carreira por encerrada. Meu técnico conversou comigo e resolvi ficar mais um pouco. Esse pouco se prolongou por mais um ciclo olímpico que me levou, em 1996, a Atlanta… como meu desempenho não foi muito interessante nessa Olimpíada, pensei que não haveria mais o que fazer. Acreditava que já tinha alcançado meu ápice e não queria acabar mal. Nesse ano, foi feita até uma despedida, mas depois disso consegui um índice para um campeonato mundial, resolvi participar e isso me deu um estímulo a mais e acabei tendo um horizonte muito mais próspero, podendo participar de cinco olimpíadas.

MO: Como você começou muito cedo, poderia dar uma opinião sobre a importância do esporte na vida de uma criança?

RR: O esporte pode sim fazer muita coisa na vida de uma criança, mas não faz nada sozinho. Precisa ser bem administrado e encaminhado. Além disso, é uma alavanca de valores, ensina muitas questões relacionadas com competição, dedicação, responsabilidade e companheirismo. Mesmo em um esporte individual como a natação, o atleta não faz nada sozinho, o resultado não é só do atleta, é de toda uma equipe que o acompanha. Então, digo que o esporte fez a diferença na minha vida, sim, e pode fazer na vida de todos. Todo esse arcabouço de aprendizagem eu tenho levado para minha vida profissional e pessoal. A natação me deu tudo, até minha esposa (risos)… como ela também é ex-nadadora, compartilha valores iguais aos meus. Além disso, a natação me deu um leque de oportunidades. Só estou hoje na Secretaria de Esporte e Juventude de Minas Gerais graças à visibilidade que tive como atleta. Como no esporte sempre se tem alguma coisa a aprender, o atleta acaba transpondo essa vontade de aprender para outros aspectos de sua vida. Além disso, a vida é uma competição constante e nem sempre você é o primeiro. Por isso, acho que o esporte consegue te dar uma visão clara de que com dedicação você pode sim alcançar todos os seus objetivos, além de ter um senso de justiça muito grande.

MO: Como você tem essa consciência social do esporte, como vê o papel do atleta na sociedade?

RR: O atleta que tem destaque e visibilidade tem que ter a consciência de que, na sociedade, as pessoas estão olhando para ele. Estão se espelhando para o bem e para o mal, a partir da imagem do atleta… esse é um ponto muito importante: entender que o sucesso nas quadras ou nas pistas traz consigo uma responsabilidade muito grande. O atleta não existe só dentro de quadra, ele é uma pessoa que, a qualquer momento de sua vida, pode estar sendo visto e observado e servindo de exemplo. O papel do atleta é o de referência para os jovens, principalmente. O atleta precisa encarar o esporte como algo vital para a sociedade. Na época do Guga, por exemplo, ele foi um espelho em que os jovens se inspiraram e houve uma grande procura pelo tênis. Espero, então, que os atletas, a partir, principalmente, de 2016, também proporcionem um boom de investimentos no país, para estimular não só o esporte de competição, mas principalmente o esporte por prazer.

MO: Nesse sentido, como você encara o apoio e o patrocínio ao esporte no Brasil?

RR: O patrocínio é o lado mercadológico do esporte. Essa questão do patrocinador ser um cara bonzinho que quer ajudar não é verdade. O patrocinador está sempre pensando no que é bom para ele, na captação de um cliente, na imagem da empresa que é socialmente responsável. A gente tem que esclarecer isso: ninguém é “bonzinho” porque está patrocinando um atleta, estão também olhando pelo lado da empresa. Devemos lembrar, porém, que o desenvolvimento do esporte precisa de dinheiro assim como qualquer outra área, dessa forma um patrocinador é bem vindo desde que tenha alguns limites e respeite os limites dos atletas. As exigências não podem ser extrapoladas. Não pode haver uma exigência, por exemplo, de que o atleta vire um garoto propaganda. As figuras precisam ser respeitadas. Se a pessoa esta sendo patrocinada para ser um atleta, tem que ser respeitado o que é prioritário. Ou seja, sua carreira esportiva e seu plano de treinamento.

MO: Você acha que no Brasil isso é respeitado e é feito profissionalmente?

RR: Existem os dois lados. Às vezes, existe um abuso tanto da parte do patrocinador quanto da parte do atleta. Às vezes um atleta acha que o patrocinador esta fazendo uma caridade e não é isso. Essa compreensão tem que existir. Claro que ainda temos muito a caminhar, existe um longo caminho para uma profissionalização maior dessa lógica do patrocínio… é preciso ter mais parâmetros. Existe muito dinheiro envolvido, mas isso por si só não vai acarretar em uma profissionalização sem que cada um saiba exatamente seu papel nesse sistema. Talvez falte um pouco de transparência em tudo isso e a falta de informação é um pouco danosa. Mas em geral, acho que o respeito acontece sim no país.

MO: Você se tornou o único nadador brasileiro a participar de cinco edições dos Jogos Olímpicos. Qual é o impulso que isso dá à carreira de um atleta? Pode também contar como é a experiência de participar dos jogos e se há muita diferença entre as edições?

RR: Entendo que a olimpíada é o ápice para os atletas na maior parte das modalidades esportivas. A própria participação já traz uma aura de vencedor, independente de medalhas e resultado, porque se trata de um evento que acontece a cada quatro anos. Há toda uma preparação e expectativa em torno disso. Não é algo corriqueiro. O atleta tem que estar bem na hora certa e no momento certo. Além disso, a experiência olímpica é fascinante e cada edição, cada sede, tem um fascínio diferente, uma particularidade própria do momento, da cidade, do país, do desempenho… tudo isso contribui muito para as lembranças. O atleta poder participar de uma olimpíada é muito bacana, mas ele tem que ter consciência do que é a cobrança. Cada um encara de uma maneira, mas é importante entender que o fato de não levar uma medalha não quer dizer que o atleta seja um perdedor. O atleta precisa entender essa filosofia. Do contrário, vai se desgastar muito. Tem que saber aproveitar o momento, mas sabendo qual é o objetivo, e treinar muito para participar da melhor forma possível e se preparar bem. Saber que o atleta deu o seu melhor e que o resultado foi justo proporciona um grande conforto e confiança. Vale à pena dar tudo de si, pois as olimpíadas representam a maior competição para um atleta

MO: Você também foi Campeão Pan-Americano em Havana 1991 e Santo Domingo 2003. Qual a importância dessas vitórias em sua carreira? E qual a maior diferença entre participar de uma olimpíada e vencer um Pan?

RR: O Pan para o Brasil é muito bom, pois consegue dar ao atleta a perspectiva de chegar entre os primeiros. Para a natação, são duas competições muito distintas. Nos jogos olímpicos existem mais de uma centena de países competindo e a disputa acaba sendo muito mais pulverizada, ao contrário do Pan, em que podemos ver algo muito canalizado, especialmente pelos americanos, que têm um potencial sempre muito grande. Além disso, atletas de outros países também treinam ou já treinaram nos Estados Unidos. Então, temos que ver esse cenário também, de supremacia americana. Mas dizer que ganhar o Pan-Americano é mais especial do que participar de uma olimpíada eu não posso. Diria que é diferente. A sensação de subir em um pódio e ouvir o Hino Nacional é sublime, não dá para falar que não, e não tive a oportunidade de sentir isso em uma olimpíada. Mesmo assim, pude vibrar muito quando outros brasileiros subiram do pódio. São, então, experiências bem diferentes, não tem como comparar. São muito distintas e muito especiais.

MO: A que você atribui ter conquistado tantas vitórias em sua carreira? Quem foi sua maior inspiração e incentivo?

RR: Fonte de incentivo sem dúvida foi minha mãe. A Dona Odete ia a todos os lugares. Sempre ali do meu lado, quando fui campeão Pan-Americano pela primeira vez e em todos os outros momentos, ela foi a grande incentivadora. Não só ela, mas toda a minha família. O núcleo familiar é muito importante na carreira de um atleta, a família é um porto seguro que está sempre apoiando independente do resultado. Para o atleta, ter esse apoio, principalmente nos momentos difíceis, é extremamente importante. E inspiração… foram diversas. Principalmente, a do grande nome da natação que foi o Ricardo Prado, nunca escondi de ninguém. Ele me mostrou que o empenho pode gerar resultados muito positivos. Pra mim, ele foi a referência no início. E além disso, me inspiro em todo e qualquer grande atleta que luta com talento e dignidade, pois cada um a sua maneira tem alguma coisa que o faz o melhor do mundo e buscar referências de atletas que têm atitudes certas é muito positivo. O Oscar (Schmidt), por exemplo, ficava depois dos treinos praticando seu lance livre e isso fazia a diferença. Busco sempre acompanhar isso tudo para me inspirar.

MO: Você foi 15 vezes campeão dos 200m costas no Troféu Brasil de Natação. Como você avalia o cenário brasileiro de competições de natação?

RR: Hoje, o cenário é fortíssimo. Fico impressionado com tantos nomes que estão surgindo das mais diversas regiões do Brasil e nos mais diversos estilos. São nadadores de alto nível como César Cielo e o Tiago Pereira, que estão entre os dez melhores das suas provas no ranking mundial. A natação brasileira tem evoluído muito. A competição esta muito forte e o nível esta se elevando muito. Mas, por outro lado, devemos salientar também que houve sim uma decadência dos clubes que investiam nesses atletas. Hoje, menos clubes disputam os campeonatos regionais, estaduais e até nacionais, essa é uma grande preocupação. Acredito que não há o interesse que havia anteriormente e, além disso, o esporte ficou muito caro. Nesse sentido, não vejo tanta sustentabilidade no cenário brasileiro. O poder público deveria sim dar um auxílio, mas isso tem que ser feito em conjunto com a família, com os próprios atletas e com toda a comunidade.

MO: Quais os objetivos que você traça no atual estágio da sua carreira? E quais são seus planos futuros?

RR: Um dos principais objetivos é tentar, dentro do contexto político, implementar algumas coisas que são muito importantes para o esporte, buscar meus objetos dentro de toda essa realidade política que nós conhecemos, na qual há muita restrição orçamentária, procurando sempre adequar essa realidade às necessidades. Mas o maior objetivo mesmo é continuar construindo minha família. Agora, com as minhas duas filhas, quero fazer uma família saudável que se respeite, incentivar o esporte e dar todo o apoio de que precisarem. Caso elas queiram fazer carreira na natação, ótimo, mas elas é que irão decidir o futuro. No fim, meu grande objetivo é ser feliz.

MO: Como você avalia o problema do doping nos esportes e que mensagem você deixaria para os jovens atletas?

RR: Doping é algo que vai estar sempre junto com as competições esportivas. Infelizmente, isso é uma guerra sem fim e o combate a isto precisa continuar, sem dúvida nenhuma.  A responsabilidade quanto ao doping deve ser não só do atleta, mas de toda a equipe. Ou seja, do treinador, do médico e de toda a equipe multidisciplinar que esteja envolvida com o desempenho do atleta. Esse cuidado deve ser tomado de forma mais responsável e cada vez mais veemente. Acredito que, quanto mais o atleta vai progredindo, mais neurótico, de certa forma, ele precisa ficar, pois o doping ronda e o atleta tem que estar sempre alerta para cuidar de sua saúde. E, claro, não vale à pena destruir tanto a saúde e a carreira, ter o nome exposto e ligado a algo tão ruim por conta de uma glória momentânea.

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NCAA: cai recorde de Cielo

Ele já pode ser considerado como meio americano, afinal está quase um terço dos seus 20 anos nos EUA. Mas o russo Vlad Morozov, bronze olímpico no ano passado no revezamento 4x100m livre, é mais um dos inúmeros estrangeiros a fazer sucesso no campeonato universitário americano, uma das poucas competições (muito) bacanas que não tive o prazer de participar.

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Morozov nada para deixar o recorde de Cielo e dois brasileiros para trás.

Morozov abaixou 16 centésimos dos 40.92 que Cesar Cielo fez 5 anos atrás, nos 100 jardas livre. E ainda derrotou os dois brasileiros medalhistas no NCAA deste ano: Marcelo Chierighini e João de Lucca. Os dois não devem ter ficado tristes com as grandes performances realizadas em Indianápolis.

Outro destaque no último dia foi Kevin Cordes, destruindo o recorde dos 200j peito, naquela que o técnico de Phelps reiterou ser a melhor prova em jardas da história. Antes Cordes já tinha estabelecido nova marca nos 100 jardas também. Apesar desta supremacia, ele acabou em 3o. nas eliminatórias para Londres, ficando fora das Olimpíadas. Mais um nome para Rio-2016?

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Cordes: o C é de Cats (Arizona Wildcats), não do nome dele.

 

 

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Quarta eliminatória

Hoje. De tanta gente perguntar, quando Cesar Cielo vai nadar, respondo antecipadamente desde as cinco da manhã: hoje. Hoje o que? Cesar Cielo nada. Ah, mas não é a prova dele. Não, ele é recordista mundial, medalhista olímpico, mas não nada esta prova, não. Ou, como dizem, não é especialista…

Cielo: precisa melhorar para nadar a final amanhã – e sabe disso. (Zimbio)

Cielo nadou e fez o que era esperado: classificou-se para a semi. Nesta hora não adianta fazer qualquer tempo relevante. De modo semelhante, o importante à tarde é chegar entre os oito melhores tempos. Raia 1 e 8 são as “piores”? Em tese, sim; na prática, pouco importa, tem os mesmos 50m e, com as novas tecnologias, a questão da marola nos cantos foi minimizada. Cesar Cielo, Gustavo Borges e Fernando Scherer conquistaram medalhas nestas raias laterais.

Outro brasileiro que nadou consciente foi Tales Cerdeira, indo para a semi dos 200m peito. Nicolas Oliveira, nos 100m livre, Henrique Barbosa, nos 200m peito, e Joanna Maranhão, nos 200m borboleta, não nadaram perto de suas melhores marcas e acabaram suas participações (a não ser que Nicolas nade o revezamento medley de manhã).

Tales Cerdeira: nadou consciente e está na semi.

Na verdade, todos os nadadores que foram a Londres tinham chance de ficar entre os 16 melhores, nas suas melhores provas. Seria assim com Fabíola Molina,  nos 100m costas, e Felipe França, nos 100m peito, para ficar apenas em dois exemplos. Ninguém quer representar mal o Brasil, quanto mais a si mesmo! Acredito que o pessoal treinou (e muito). A maioria, ao contrário do que pensam alguns, tiveram acompanhamento de nutricionista, psicólogo, preparador físico, fisiologista e outros profissionais do ramo. Mas, tudo tem que dar certo, na hora certa. Não tem outra chance – apenas daqui a  4 anos!

E finalizo perguntando aos críticos: e você, qual a sua colocação na sua profissão? Na cidade? No Brasil? No mundo?


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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Finais do segundo dia: os recordes da era tecnológica começam a cair!

Nos 100m borboleta, Dana Vollmer avançou com consistência até a grande final, sempre perseguindo a marca mundial.  E na final ela conseguiu! Tornou-se a primeira a abaixar dos 56s.

Vollmer: tanta tenta que consegue o recorde mundial

Numa prova emocional, onde poderia ver o primeiro tri (depois da decepção de Phelps ontem), com um dos favoritos morrendo este ano (o norueguês Dale Oen, prata 4 anos atrás), Cameron Van Der Burgh, que estabeleceu nova marca mundial, negando o pódium para Kitajima. Bronze para o americano Brendan Hansen, que voltou a treinar apenas ano passado. Olho para o húngaro Daniel Gyurta nos 200m peito.

O sul-africano comemorou deitando em cima da raia.

Nos 400m livre, apesar da grande torcida, não veio o bi para Rebecca Adlignton, mas não foi menos emocionante, com Allison Schmitt e Camille Muffat disputando prova a prova, com a melhor para a francesa. Adlington acabou com a primeira medalha para o país anfitrião.

Mas, a surpresa maior foi a França ganhar E a Austrália ficar fora do pódio no revezamento 4×100m livre! Enquanto os primeiros revidaram a derrota de 4 anos atrás (fechando dois potenciais medalhistas de amanhã nos 200m livre, Lochte e Agnel) contra os americanos.

Recorde europeu para a lituana Ruta Meilutyte


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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