Thiago Pereira político

Não, ele (ainda) não vai se lançar a cargo eletivo, embora talvez sua mãe já pense nesta possibilidade. Mas o medalhista olímpico Thiago Pereira continua surpreendendo. Após a medalha de prata nos 400 medley em Londres, o atleta já compõe duas importantes instâncias políticas do esporte. Primeiro fez parte da comissão da FINA (vice-presidente), e agora da recém criada Comissão de atletas do COB. E para aqueles que pensavam ser uma maneira de controlar suas críticas, ledo engano.

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Thiago: conciliando treinos e competições com declarações fortes. (crédito: Satiro Sodré/SSPress)

Em dois comentários nestes últimos dias, por ocasião dos Jogos Sul-americanos, Thiago foi nas feridas ao criticar a ausência da televisão do país olímpico durante o campeonato e ainda mostrou-se preocupado com o esporte brasileiro na ressaca olímpica.

Na primeira cutucada, defendeu mais visibilidade aos atletas (e consequentemente de seus patrocinadores), afinal fica difícil de torcer sem conhecer a modalidade esportiva e quem está competindo.

Neste ponto é importante ressaltar que a imprensa verde amarela avançou, mas ainda enfrenta o grande problema do monopólio, onde um VT de um jogo regional tem mais espaço que as demais modalidades.

A outra dedada é sobre o futuro pós-2016. Não é surpresa para ninguém que sim, os investimentos vão cair – só não sabemos quanto. Mas o que todos anseiam é que parte do legado seja sustentável. Fica difícil de fechar algumas equações.

Como manter os diversos centros esportivos que foram (serão) inaugurados sem o financiamento público? Será que a cultura esportiva vai pegar? Teremos mais gente praticando esporte, seja lá em qual nível? Nossos treinadores, árbitros, dirigentes, pesquisadores, jornalistas e arquitetos (sempre esquecidos nesta conta) vão estar com experiência suficiente? Ou vamos ter que aguardar a próxima olimpíada em solo brasileiro?

Vai Thiago!

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Cielo no Minas

Quem me segue sabe que tento elaborar um pouco mais no título e nas fotos, mas esta notícia tinha que ser como seu protagonista: rápida!

Sim, após especulações, o Minas Tênis Clube tem um campeão olímpico e recordista mundial. Segundo as informações preliminares, o contrato é de 3 anos, coincidindo com o ano olímpico. Nada mais oportuno para ambos os lados.

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O atleta estava sem um clube brasileiro para chamar de seu desde a saída do Flamengo. Demorou, alguns chegaram a comentar. Certo é que ele vai encontrar além de uma boa estrutura, um técnico que já fez campeões e recordistas mundiais. A troca dos Scott – Goodrich por Volkers – foi decisiva para a escolha.

Do lado do clube mineiro, ótima oportunidade para reforçar sua equipe, marcar importantes pontos em revezamentos, mas também para ativar ainda mais seus patrocinadores.

Sou (muito) suspeito, mas acredito nesta parceria e espero que os maiores frutos venham exatamente daqui a 3 anos.

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As inevitáveis mudanças: três campeões mundiais de casa nova?

Neste semana, li que mais um do time de vôlei do Rio acabou abandonando o barco. Nada mais natural, afinal os altos salários estavam condicionados ao sucesso da OGX. O que chamou atenção foi o time que Rodrigão escolheu para ir, o Barij Essence Kashan, no Irã. Curioso, fiz uma rápida pesquisa e descobri que a seleção masculina daquele país está em 12o. no ranking da FIVB. Nada mal, mas será que, mesmo assim, foi o melhor movimento para nosso jogador de vôlei?

Dito isso, sei que a mudança é inevitável. Quanto mais profissional o esporte, mais frequente esta movimentação. Natação não é diferente. Eu mesmo tive 5 clubes na minha carreira, sendo 3 deles ficando ao menos 5 anos. E todo início de ano atletas procuram melhores estruturas para seu treinamento – ou apenas mais dinheiro, e é aqui que mora minha crítica.

A primeira mudança, e mais significativa, foi o retorno de Poliana Okimoto para o Unisanta. Após um ano de muito sucesso no Minas, ele decidiu concentrar aonde vem alcançando seus melhores resultados: maratonas aquáticas. Apesar de ter estabelecido novo recorde brasileiro também nas piscinas em 2013, ela e seu técnico/marido preferem ficar oficialmente mais próximos do mar e também sem o compromisso das competições oficiais como o Maria Lenk.

Já Felipe França, campeão mundial dos 50m peito, mudou de clube, mas não de cidade. Sai do Pinheiros para o Corinthians, que teve uma boa temporada em 2013.

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Cielo: ladeado pelo técnico de recordistas mundiais (Scott Volkers) e de um ex-recordista mundial (Teófilo Laborne).

Por último, Cesar Cielo esteve no Minas treinando. O recordista mundial e campeão olímpico busca um lugar para chamar de seu desde que saiu do Flamengo ano passado. Certo é que deve continuar maior parte do tempo nos Estados Unidos, mas é sempre bom ter uma base brasileira e nisso o Minas saiu na frente.

Apenas espero que todas estas novas escolhas não tenham sido motivadas exclusivamente pela parte monetária.

 

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E se Tinga fosse nadador?

Cena 1: Anthony Tinga vem de um pequeno país e vai para a final dos 100m borboleta contra um branquelo que é do país mais poderoso do mundo. Já na saída, sem nenhuma surpresa, o grande favorito consegue uma vantagem. Após a virada dos 50m, ele surge ainda mais imponente, estilo perfeito, pernadas vigorosas. Chegando aos 25m finais, ele tem quase um corpo (o seu, de quase 2m) de vantagem sobre os demais competidores. Últimos 12-15m e ele começa a sentir, seu estilo cai, mas ainda mantém uma vantagem confortável a não ser que… uma chegada deslizante e um final sensacional dão a vitória a Tinga pela menor margem possível na natação: UM centésimo. A plateia vai ao delírio frente a um desacreditado favorito que vê sua meta de igualar o melhor dos melhores fugir logo na sua primeira prova. Isso tudo, num país de amarelos.

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O Tinga brazuca mostrando o resultado do seu feito.

Cena 2: Edvaldo Tinga foi um nadador de sucesso improvável. Pobre, vindo de um país do terceiro mundo (quase em desenvolvimento), ele nadou contra tudo e todos – e chegou a uma histórica final olímpica com seus 3 companheiros. Dois deles já tinham sentido o gosto da medalha olímpica e buscavam, logo no primeiro dia de competição, mais uma. Ao nosso Tinga foi dada uma responsabilidade enorme: a de fechar o revezamento 4x100m livre. Mas ele não se intimidou. Apesar de cair em quinto, o improvável acabou virando inacreditável. Com sua famosa volta fortíssima, ela superou representantes de países que já tinham tido problemas em período passado para reconhecer cidadãos de sua cor. Embora a atenção tenha ficado para a sensacional disputa pelo ouro com recorde mundial, um pequeno grupo presente do seu país se abraçava e pulava tanto quanto os vencedores (e ainda se emociona com a lembrança).

PS: qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.

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O futuro Governo e o Esporte

Permitam-me entrar em uma seara em que, se não me sinto confortável como quando nadava, ao menos já não sou um neófito, afinal no segundo semestre vou fazer bodas de estanho no Governo de Minas.

Hoje, no trajeto para o trabalho, acabei passando os olhos na íntegra das diretrizes do plano de um eventual governo de Eduardo Campos e Marina Silva e fiquei triste ao notar apenas uma vez a palavra Esporte. Chegando em casa, quis verificar com precisão, afinal ler na tela de um smartphone pode não ser a melhor maneira de tirar conclusões. Pois bem, num volume de quase 70 páginas e um universo de quase 15 mil palavras, o Esporte foi mencionado apenas 7 vezes.Todos eles com cultura e lazer.

Não deixa de ser incrível que a década dos grandes eventos esportivos, com Pan, Mundial Militar, Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíada e Paralimpíada, para ficar apenas nos maiores, não foi capaz de tirar o Esporte do ostracismo político.

Sinto-me culpado, de certa forma, neste fracasso. Mesmo com investimento maior, conquistas importantes na legislação esportiva e até algum apoio da iniciativa privada (não me venham mencionar dos “patrocínios” baseados em lei de incentivo, este é o meu e seu dinheiro), não conseguimos colocar o Esporte efetivamente na agenda política. Esporte, cultura e lazer é o que sobrar. Se sobrar.

Não importa o potencial econômico, do turismo esportivo, da cadeia produtiva. Precisamos de mais estudos para demonstrar o quanto isso impacta no PIB e na geração de empregos? Talvez. Diria, muito provavelmente. Mas a comunidade científica também não viu aqui uma oportunidade de confirmar o que empiricamente já é conhecido.

Desenvolver um programa de qualidade de vida, onde o esporte seja uma alavanca importante? Será que dá voto? As pessoas vão tomar menos remédios e procurar menos médicos (com o perdão do trocadilho). Vão viver mais – e menos dependentes.

Enfim, já comentei aqui sobre o melhor planejamento que já vi, que foi o britânico. Alguns resultados não foram alcançados, mas outros, como o desempenho olímpico, teve seu ápice em Londres-2012. Mas talvez a maior vitória foi que eles conseguiram um envolvimento significativo governamental E da sociedade civil.

Voltando às diretrizes do PSB e Rede, o termo sustentável? Sete vezes mais que esporte.

 

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Joanna Maranhão anuncia aposentadoria

Sim, todo mundo sabia que ela ia parar, a questão apenas era quando e como. O anúncio não poderia vir de outra forma senão nas redes sociais, que ela usa e abusa.

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Joanna: não deu para segurar até o Rio 2016.

Muito já foi dito, escrito, comentado sobre Joanna Maranhão. Nas piscinas o resumo da ópera é o melhor resultado feminino em Olimpíadas (5o. em Atenas nos 400 medley), 3 Jogos Olímpicos e mais 3 Pan , recordes nacionais em todos os estilos com exceção do peito, medalhas e mais medalhas. Muito provavelmente a melhor atleta de natação que o Brasil já teve.

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Isto É: resumo de uma carreira vitoriosa.

Fora das piscinas, polêmica. Defendeu causas relacionadas com seus traumas de infância, passou por vários técnicos e clubes, bem como comprou uma briga pessoal com a CBDA. O futuro, aliás, está ligado à ONG Infância Livre, que deverá defender os direitos constitucionais das crianças.

Inteligente, Joanna terá novos desafios ao lado de outro grande atleta, o judoca Luciano Corrêa, outro defensor de programas esportivos sociais.

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Não poderia acabar antes de deixar minha tradicional saudação a esta nordestina porreta: OBRIGADO e BOA SORTE, JO AN NA MA RA NHÃO!

 

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Gama Filho: ascenção e queda

No início do ano, o MEC descredenciou a Universidade Gama Filho, uma medida extrema e muito polêmica, devido a “baixa qualidade acadêmica, do grave comprometimento da situação econômico-financeira da mantenedora [das instituições] e da falta de um plano viável para superar o problema, além da crescente precarização da oferta da educação superior”. Na prática, cerca de 9 mil alunos e mil professores estão desde então num limbo.

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O super respeitado Tubino recebeu centenas de homenagens, como o nome de uma Vila Olímpica do Rio.

Com uma estrutura, cursos, corpo docente e cultura ímpar, a Gama Filho foi sinônimo de boa formação na área esportiva, com professores como o finado Manoel Tubino e o grande estudioso Lamartine Pereira da Costa. Este conjunto proporcionou uma geração de ótimos pesquisadores, técnicos, professores de educação física, bem como um local de formação de atletas que conciliava o estudo com os treinamentos.

O exemplo mais recente são os diversos judocas exitosos que passaram por lá, entre eles o medalhista olímpico Flavio Canto. Mas você sabia que a natação também teve seus dias de glória? Pois há 30 anos, o Troféu Brasil de Natação teve o Gama Filho como 3a. colocada, perdendo para o Fla e Flu, deixando clara a hegemonia do Rio naquela época. Mais detalhes podem ser encontrados no último post do Ephicurus.

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Para aqueles que nadaram e querem colaborar a preservar um pouco desta história, achei no Facebook esta página, de onde foram retiradas as duas fotos acima.

Infelizmente minha memória não é tão pródiga quanto a dos ephicurianos, mas recordo sim do sucesso dos alunos/atletas da Gama. Acompanhe abaixo,por exemplo, o domínio nas categorias de base em 1982, com Aderbal Oliveira e seu destaque maior, Marcio Santos (notem a diferença para o segundo colocado, que não era qualquer um…), nome temido pelos adversários na época:

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E tivemos ainda Marcelo Vaccari, grande dentro e fora das piscinas agora como técnico do Minas.

E você, lembra de outros nomes de destaque da Gama Filho?

 

 

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O recordista mais velho do mundo

Jaring Timmerman criou uma nova categoria na natação master: a 105-110. Isso apesar dele ter “apenas” 104 aninhos, mas como a regra é clara e diz que passa a valer o ano em que o atleta vai fazer a idade e não qual ele tinha na época do resultado, sua marca vai acabar forçando a FINA a abrir esta nova faixa etária.

Race against time … Jaring Timmerman – who is 100 years old – swims the backstroke.

Timmerman durante os seus mais de 3 minutos de 50m costas.

Seus recordes nos 50m livre e costas acabaram sendo o ápice do Pan Americano Master. Agora, além dos recordes da faixa anterior, ele pode aposentar tranquilo pois não há ninguém perto para ameaçar seu reinado. Uma grande demonstração de amor ao esporte.

Quer saber mais sobre o Mundial Master deste ano? Clique aqui.

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Como eram as férias da natação?

Voltei recentemente das férias de fim de ano. Praia com família, um programa muito comum (percebe-se pelo tanto de pessoas neste mesmo espaço).

Nadar no mar? Não me aventuro. Mesmo quando treinava e precisava manter-me ativo, preferia uma corrida (que também não sou muito fã), abdominais e uma academia local. Meu negócio sempre foi entre quatro bordas mesmo.

Mas, voltando ao que me motivou a escrever este post, primeiro, queria desejar um ótimo 2014 a todos, com muita Saúde. Segundo, ao ver alguns bons resultados já nos primeiros dias do ano, fica claro que estes atletas não passaram o reveillon em férias, mas sim treinando. Alguns inclusive já no dia primeiro! Acreditem, eu passei por isso.

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Magnussen: perder ano novo do Rio, ok, mas carnaval de Divinéia?

Fiquei lembrando de alguns feriados que simplesmente foram ignorados, outros com uma rápida parada. Ano Novo no avião? Já tive esta experiência ao ter que viajar para a Copa do Mundo na Austrália. Noutra vez estávamos lá vendo os “fires the artificies” (esta é só para quem conhece a história) na passagem do ano.

Carnaval? Quando em Belo Horizonte passei alguns anos em Divinópolis, no interior,  com colegas de república. Mais perto e, portanto, menos cansativo para o bate volta. Não conhece o carnaval de Divinéia? Pois é, eu sim.

Claro que os sacrifícios eram amplamente compensados na maioria das vezes e não sentia nenhum arrependimento daqueles treinos com muita gente de ressaca ainda.

Magnussen não deu seu 12o. 47s nos 100m livre, o primeiro de 2014, tirando longas férias natalinas…

 

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O poder das homenagens II – Troféu Best Swimming

O Troféu Best Swimming 2013 está aí. Fui convidado para fazer parte do Painel de Especialistas e auxiliar na difícil tarefa de escolher os melhores da natação em 2013. Grande iniciativa do Coach Alex, mas será que a Confederação e as Federações estaduais não poderiam fazer algo parecido?

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Homenagem do Minas para a campeã mundial.

Sim, tivemos recentemente o tradicional Prêmio Brasil Olímpico, este ano em São Paulo e aparentemente mais rápido que a versão carioca, mas ali apenas um nadador ou nadadora é indicado. Aliás, para terminar bem o ano, Cesar Cielo e Poliana Okimoto disputaram o título de melhor de 2013, sendo que nossa multi-medalhista das maratonas aquáticas venceu!

Mas, voltando à provocação e sabendo das dificuldades deste tipo de cerimônia (troféus e/ou placas, eventualmente transporte e hospedagem), mesmo que simples, este reconhecimento tem um grande impacto sobre o atleta e também naqueles que o cercam. Se alguém do interior leva o título, digamos, de melhor Infantil, isso repercute não apenas no clube onde este menino treina, mas também na sua cidade e região.

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Além de tudo, ajuda a divulgar os parceiros.

Ele acaba virando referência, assim como seu técnico. Aí temos duas situações: eles aguentam e progridem juntos ou acabam tomando rumos distintos. Faz parte.

Os críticos de plantão não vão gostar, mas acho bacana a iniciativa do Coaracy Nunes Filho, presidente da CBDA, de pré-convocar nadadores iniciantes para olimpíadas futuras. É marketing? Sim, mas e aí? Quantos pais orgulhosos exibem o pomposo diploma? Ouro de tolo, alguns poderão dizer. Pois é uma iniciativa que vem de anos (alguém sabe quando começou?) e está até hoje porque tem respaldo.

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A melhor revista cita os melhores de 2013.

Além das óbvias premiações para as melhores performances e técnicos, como a da Swimming World, temos outras nem tão comuns assim, mas que valem como uma retrospectiva, como estas da SwimVortex. O importante é deixar a natação na pauta!

 

 

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