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A alemã Sandra Voelker está leiloando não apenas suas medalhas olímpicas de Atlanta – 1996, como diversas outras e também touca, maiô, óculos, etc. A atleta fez muito mais sucesso na piscina curta que na olímpica.

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Voelker: na Alemanha, pessoa física quebra.

Ela vai tentar levantar 100 mil euros para pagar suas dívidas, após investimentos mal feitos.

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Atlanta e a caçada que durou 5 anos

Os Jogos Olímpicos de Atlanta foram, de longe, a pior edição que participei. E não foi (apenas) por conta do meu fraco resultado, nem por ver o italiano Emanuele Merisi ficar com o bronze em uma fraca final dos 200m costas, mas também pelo espírito exacerbado de capitalismo puro que foi dado. Começando pela força da Coca Cola em retirar a simbólica olimpíada centenária de Atenas, até ao pouco caso do legado esportivo para a cidade (a piscina virou estacionamento).

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Rudolph não se mostrou arrependido.

Para piorar esta situação toda, lembrei, logo após este atentado em Boston, a bomba no Parque Centenário. Estava em minha primeira e última noite fora da Vila Olímpica (os 200m costas geralmente é disputado no último dia do programa da natação…), quando houve um rebuliço e logo fomos avisados para retornar para a Vila. Apenas no outro dia as informações começaram a chegar com mais clareza e, com isso, uma apreensão geral. No fundo, eu não acreditava que poderia haver mais problemas, mas a segurança falava mais alto.

Ao contrário do rápido desfecho em Boston (ou ao menos muito próximo, ao que tudo indica), Atlanta apresentou primeiro um bode expiatório: Richard Jewell. O coitado foi de condenado a herói (foi um dos primeiros a notar a bomba e começar a evacuar o espaço).

Em 1998, anunciaram o verdadeiro culpado, Eric Robert Rudolph, chegou a ser um dos 10 fugitivos mais procurados nos EUA, com uma recompensa de um milhão de dólares, sendo capturado apenas em 2003.

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Scherer e Borges: esta foi a parte boa de Atlanta.

Mas Atlanta também trouxe a experiência única de presenciar amigos ganhando medalhas. Gustavo e Xuxa (e quase o revezamento 4x100m livre), nos deram a alegria de três medalhas. Mas isso é outra história…

Jogos Olímpicos: o melhor nem sempre vence

A frase pode soar estranha, mas a verdade é essa: o melhor nem sempre venceu em Londres. Que ninguém tenha dúvida de que Cesar Cielo é o melhor nos 50m livre, ele não foi o mais rápido em Londres, mas manteve no topo do ranking mundial por 4 anos (em 2012, detém 3 das 5 melhores marcas do ano), tem o recorde olímpico e mundial. Ninguém nadou mais rápido que ele. Nunca. Ponto.

Biedermann: recordista mundial dos 200 e 400m sai sem medalha de Londres.

Nos Jogos Olímpicos, no entanto, não se olha para a marca, mas sim quem chega em primeiro. Então, de quatro em quatro anos, os atletas todos se reúnem para decidir quem está melhor naquele exato momento. Para se ter uma ideia, recordistas mundiais homens cairam na água 9 vezes nas 13 provas individuais para defenderem suas marcas e… perderam!

Já saiu de alguma entrevista, fez alguma reunião, enviou algum e-mail com aquela sensação de podia ter falado isso, não deveria ter escrito aquilo, etc? Pois é, agora imagine ter que ralar por mais 4 anos para reparar este pequeno deslize? Assim são as Olimpíadas, um pesadelo para alguns, o auge para outros – sem margem para erro.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero