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Corinthians vence após quase meio século

Não, o Timão não demorou 48 anos para ganhar do Flamengo. Falo do Troféu Brasil de Natação, hoje mais conhecido como Maria Lenk. O Corinthians venceu com autoridade, com 2.875,5 pontos, quase mil (!!) à frente do Minas e Pinheiros. A diferença foi basicamente no feminino, com suas duas grandes contratações: Katinka Hosszu (420 pontos!) e Jeanette Ottesen, tanto que disputa mesmo ficou no masculino, com a equipe mineira levando a melhor.

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Corinthians: foto comportada da equipe campeã (crédito: Satiro Sodré)

O campeonato começou com a polêmica do Pinheiros entrando na justiça contra a participação dos estrangeiros. O clube paulista, que já fez várias destas contratações no passado, teve seu pedido indeferido. Mas afinal, o que é nadar com 100% dos atletas brasileiros? A competição não fica com índice técnico melhor? Temos duas reações: uma com atleta reclamando da competição “desleal” e outros animados com a presença e não se intimidando, falando até em vencer em futuro próximo. Ainda temos a maior visibilidade para o esporte. Com campeãs mundiais e vários top 10 durante o Troféu Maria Lenk (grande maioria graças a brasileiros, diga-se de passagem), acredito que tenha mais benefícios. Detalhe: a melhor performance feminina brasileira, Graciele Hermann e seu recorde sul-americano nos 50m livre, ficou atrás de 13 provas das estrangeiras.

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Super revezamento do Pinheiros, com atletas que treinam… pelo mundo. (crédito: Satiro Sodré)

Esta polêmica à parte, a outra se concretizou com apenas 9 clubes subindo ao pódio (com dois apenas uma única vez). Finais B com poucos atletas (algumas sendo até canceladas) na longa competição mostraram que o TML é realmente para poucos. A concentração me poucos clubes competitivos também pode trazer discussões acaloradas. Nada mais justo nadadores e técnicos buscarem a melhor estrutura para o seu desenvolvimento, mas e a formação? Será que não estamos matando a galinha dos ovos de ouro, os clubes do interior e sua capilaridade única, que pode dar oportunidade aos talentos espalhados pelo Brasil?

A grana que está indo para a Confederação Brasileira de Clubes poderia ir, em parte, para isso? A CBDA poderia criar algum programa de estímulo, premiando aqueles que mais formam e chegam à seleção adulta (evitando assim o overtraining dos infantis)? Estes técnicos estão recebendo capacitações e oportunidades para seu desenvolvimento? Seus clubes tem as condições mínimas de treinamento adequado? Bem, alternativas para o atual modelo existem, então algo pode ser feito.

Trofeu Maria Lenk, Natacao
Santana e Cielo: de olho em 2016.

Os resultados da competição em si foram excelentes. O ápice foram os dois recordes mundiais júnior de Matheus Santana, do Unisanta, nos 100m livre. A prova, já tradicionalmente sendo bem representada pelo Brasil, deu esperança de um revezamento que vai disputar medalha em 2016.

O outro recorde brasileiro veio com Leonardo de Deus, nos 400m livre, em 3:50.90.

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Greciele, ou GraSienna: quanto mais estrangeira, melhor.

 

Mare Nostrum em Canet: Felipe Lima com dois ouros

Felipe Lima saiu das duas competições em solo europeu com 4 medalhas (2 ouros, 1 prata e 1 bronze). Em Canet, ele venceu os 50 e 100m peito. Neste último, o favorito Cameron van den Burgh acabou não nadando a final, alegando gastrite. E se isso acontecer em Londres?

Felipe Lima, além das medalhas, um bônus financeiro. (crédito: Best Swimming)

As demais medalhas brasileiras vieram com Kaio Márcio (uma prata e um bronze nas provas de borboleta) , Henrique Rodrigues (prata nos 200m medley) e Glauber Silva (bronze nos 50m borboleta). No site da CBDA temos o balanço completo.

Mas os destaques na França foram os franceses. Os 3 recordes de campeonatos vieram com a/o Camille Muffat e Lacourt. Apesar do mesmo nome, apenas a primeira é mulher e fez marcas expressivas nos 200m livre (melhor tempo sem os maiôs tecnológicos) e nos 400m livre fez uma prova super-negativa. Quer dizer com isso que ela passou muito fraco os primeiros 200m para voltar com um tempo nos últimos 200m (1:58) que já seria uma boa marca.

Muffat, com motivos para sorrir.

Muffat, com motivos para sorrir.

O Camille homem bateu o recorde na prova não olímpica dos 50m costas, enquanto o brasileiro Daniel Ozerchowski (ainda no topo do ranking deste ano) ficou em quarto.

E agradeço ao leitor que apontou o erro para o circuito Mare Nostrum: Sette Colli não faz mais parte, mas sim Canet.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero