Categoria Política

Campanhas para a natação… nos EUA e Inglaterra

O motivo não é ganhar medalhas, mas sim evitar mortes.

Nesta última semana, a imprensa brasileira deu destaque a um programa americano para dar acesso ao ensino da natação, chamado Make a Splash, iniciativa da Confederação de Natação Americana, que tem como um dos seus padrinhos Cullen Jones, que quase morreu afogado. O programa é exatamente para evitar acidentes mortais com crianças, afinal os afogamentos são a segunda causa de morte de crianças entre 1 a 19 anos (nos EUA, assim mesmo, espantei com este dado).

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Jones e Cielo, logo após empatarem na semi. Jones saiu de quase afogado para a prata nos 50 livre em Londres.

Ciente disso, até a Associação Americana de Pediatria mudou sua opinião a 3 anos atrás e agora sugere que o quanto antes a criança aprender a nadar, melhor. E preferencialmente com professores habilitados.

Ainda mais impressionante é o Departamento de Educação inglês colocar a natação e segurança aquática no currículo escolar! Sabidamente foi aplaudido pela Associação de Natação local.

Sem dúvida, dois exemplos ousados.

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E o padrão COI?

Sei. O momento é das manifestações. Já caiu a PEC 37 (será que todos que protestaram contra, sabiam mais que: vai tirar o poder de investigação do MP?). Vão votar 100% para a Educação. Será que diminui o número de Ministérios?

Enfim, o povo deu as caras e a consequência foi uma acelerada nas SUAS prioridades.

Quem se deu mal nesta história toda? Bem, primeiro, o óbvio, a FIFA. O que era para ser uma festa, virou isso. Se esta Copa já foi assim, imaginem na Copa de verdade…

Mas a imagem do Brasil, num primeiro momento, também sai queimada. Alguns dos “legados” propagados, talvez nunca se concretizem, e a culpa agora é de ninguém mais senão das manifestações. Elas assustaram as pessoas, possíveis turistas? Sim. Enviaram imagens da parte agressiva das manifestações para fora? Sim. Talvez as prioridades baseadas na Copa vão ser revisadas? Sim.

E é aí que entra o padrão COI. Tal qual a FIFA, o Comitê Olímpico Internacional é uma grande empresa, cujo maior produto são os Jogos Olímpicos de Verão. Tal qual a Copa, o Brasil pediu para sediar as Olimpíadas e assinou um pesado caderno de encargos para tal. Não tão descarado quanto a FIFA, o COI também procura os mercados emergentes para seus grandes eventos. E tal qual o que está acontecendo agora, existe a real possibilidade de daqui a 3 anos vermos algo semelhante no Rio.

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Relógio recém inaugurado na sede do COI. Faltam mais de mil e cem dias (ou apenas?). Foto: divulgação

O que pode amenizar esta possibilidade são as mudanças neste meio tempo. De um lado, uma nova agenda política que esteja alinhada com os reais anseios da população; do outro, uma rigorosa transparência na condução dos projetos Rio 2016. Já é transparente? Torne-a límpida. Cristalina. De tal forma que até minha filha de 7 anos entenda o que está sendo feito e porque. Preferencialmente a de 4 também.

Sediar as Olimpíadas é uma grande oportunidade? Tenho convicção que sim. Mas junto com isso, vem as responsabilidades – e elas não são pequenas. Se a tendência do ambiente for para melhorar, acredito que teremos uma grata surpresa. Melhor ainda se sairmos com diversas medalhas, mas isto já é uma outra história…

 

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O aniversário e o luto

Hoje é aniversário do meu irmão Julian. Você deve ter ouvido/lido falar dele, afinal encampou um movimento chamado Muda CBDA, cujo propósito é o mesmo do próprio nome.

Primeiro tentou sensibilizar algum presidente de Federação a montar uma chapa de oposição. Não conseguiu, ninguém sabe ao certo porque.Talvez o sistema esteja viciado? Talvez Coaracy Nunes convenceu que não valeria a pena entrar em uma empreitada sem chance de lograr êxito? Talvez todos estejam confortáveis? Talvez, talvez…

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Ao final do prazo para registrar canditatura para a nova eleição, juntou uma chapa de última hora com outros ex-nadadores, sendo os mais conhecidos os olímpicos Eduardo Fischer e Rodrigo Castro. Um dos objetivos, de levantar a bandeira da oposição, foi alcançado, enquanto o outro (já esperado por todos) parou na impuganção da candidatura. Fischer, também advogado, entrou duas vezes na justiça, mas seus argumentos não foram suficientes.

O resumo da ópera é esse aí e, talvez (sempre a dúvida) como presente de aniversário, Julian colocou o site Swim It Up! de luto, como forma final (?) de protesto. As melhores opiniões vieram de ex-atletas, ambos com relatos no Ephicurus: Renato Cordani e depois um contraponto do grande Jorge Fernandes. Depois de lerem, vocês vão entender porque sou fã dos caras: as argumentações não são radicais, apenas contrárias, como deve ser numa democracia.

Pois bem, gostaria apenas de propor alguma reflexão sobre o tema continuísmo. Recentemente tivemos uma mudança no comando da Secretaria de estado do Rio de Janeiro. Dificilmente alguém aqui sabia deste fato, mas o que tem a ver? Bem, semana que vem teremos o Laureus (sim, o Oscar do Esporte) no Rio, além dos mega-eventos. Não conheço o novo titular da pasta, mas entrar a menos de 10 dias para um evento como o de segunda e com Maracanã atrasado no seu cronograma para a Copa das Confederações não deve ser a coisa mais confortável.

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OK, a mudança abrupta no meio político é muito mais comum, certo? E reclamamos que não há uma política de estado, e sim de governo (muitas vezes, no mesmo governo mudam-se as prioridades), o que dificulta construir algo sustentável.

Pois bem, nas Confederações esportivas, ao menos sabemos quando são as eleições e as possíveis mudanças de comando. Aqui em Minas, por exemplo, tivemos alternância na direção de Federações nos últimos anos, e oposição em outras tradicionais – algo está acontecendo. Será apenas o oportunismo de pegar estas entidades na crista da onda pensando em ganhar algo (não necessariamente no mal sentido)? Será que os antigos presidentes não podiam mais se candidatar, mas vão voltar? Será que os anteriores cansaram, não tem nem disposição física para estar à frente?

Aliás, para que servem as Federações? Para fazer campeonato estadual muitos só metropolitano) e votar? É isso? Será que empresas de eventos não podem fazer o primeiro e as votações serem para a comunidade esportiva (técnicos e atletas)?

Vou parando por aqui, pois acho que já tem polêmica demais para um post, mas não antes de parabenizar o Julian, não apenas pelo seu níver mas, apesar de não concordar completamente de todas suas ações, por ter a coragem de enfrentar o sistema – e o sistema, como diria Capitão Nascimento…

 

 

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De volta!

Ano novo, site novo, blog novo!

Primeiro, aproveito para mais uma vez agradecer a oportunidade que o Ig me deu. Os 200 primeiros posts que estão aqui são reprodução (infelizmente sem os comentários) do Blog que continua hospedado lá.

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Segundo, os temas aqui vão ser um pouco mais variados do que apenas natação, incluindo um pouco de política (do esporte, claro), música (não, não toco nada) e assuntos gerais. Vou me permitir escrever quando possível (as respostas aos comentários tentarei ser mais assíduo) e também misturar os temas.

Não pretendo ter textos muito elaborados como o excelente blog Ephicurus, muito menos ter a quantidade de notícias do Blog do Coach que são hoje, junto com o Swim It Up!, as referências que tenho na natação (e também curtir um saudosismo no primeiro).

Enfim, ainda estou migrando dados, fotos, notícias, etc. então ainda vai estar meio beta por enquanto, OK?

É isso. Deixo aqui embaixo Bring It Back Again, do Stray Cats. Não é da melhor fase, mas garantia de diversão…

 

 

 

 

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O legado de Phelps: seu algoz na busca do primeiro tri

Michael Phelps retuitou uma matéria da ESPN muito interessante. Vou tentar sintetizar:

Quando conversou com seu agente, lá atrás aos seus 15 anos, Phelps deixou claro que seu objetivo não era ganhar ouros, estabelecer marcas mundiais ou se tornar o fenômeno atual, mas sim tornar a natação mais conhecida e inspirar novos atletas.

Schmitt e Phelps: companheiros de treino entrando para o último aquecimento. (Twitter)

Pois seu objetivo foi alcançado. O jovem Chad le Clos viu sua performance em Atenas 2004, seus 6 ouros, e decidiu então fazer o seu melhor. E o seu melhor, para azar do ídolo, foi justamente ganhar os 200m borboleta, prova que o recordista mundial não perdia a muito tempo (oito anos, dizem).

A declaração de le Clos provavelmente aliviou a perda do título olímpico e ainda ele aposenta com sua missão cumprida: definitivamente a natação será avaliada em antes e depois de Michael Phelps.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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