No topo, Thiago avalia trajetória até recorde: ‘Não veio da noite para o dia’

Publicado em 19/07/15, aqui

Foram inúmeros treinos, competições, frustrações, abdicações, dores, cansaço, noites sem dormir. Foram também inúmeros desafios, vitórias, alegrias, medalhas, recordes, prêmios, conquistas. Nesses 12 anos desde sua estreia nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, Thiago Pereira viveu de tudo. Altos e baixos. Muito mais altos do que baixos. Com 23 medalhas no bolso e o título de maior medalhista da história pan-americana, o nadador de 29 anos deixa Toronto neste domingo realizado.

O dia 18 de julho de 2015 ficará gravado na memória de Thiago Pereira por muitos e muitos anos. Foi nesta data que tornou-se o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos, no Centro Aquático de Toronto. Mesmo sem garantir nenhum ouro em provas individuais, já que a vitória nos 400 medley foi anulada pelos juízes, o nadador de 29 anos se despediu de Toronto com três ouros (4x100m livre, 4x100m medley e 4x200m livre), uma prata (200m medley) e um bronze (200m peito). Não há motivos para reclamar.

– Foi maravilhoso. Estou aproveitando também esse momento. Isso não veio da noite para o dia. Foi uma coisa que vim construindo ano a ano, a cada ciclo olímpico. E, finalmente, em 2015, eu conquistei um fato importante, um fato legal. Lógico que foi um Pan-Americano em que eu queria ter nadado mais rápido algumas provas em geral. Mas, infelizmente, não consegui. Independentemente disso, consegui meu grande objetivo, que era colocar nosso país entre os maiores recordistas em Jogos Pan-Americanos em medalhas.

A data simbólica fez o nadador brasileiro reviver o passado, relembrando sua trajetória nos últimos 12 anos durante as quatro participações até hoje. A primeira delas foi em 2003, quando tinha apenas 17 anos, em Santo Domingo. O menino surpreendeu ao conquistar uma prata e um bronze. No Rio 2007, Thiago fez a festa, com seis ouros, uma prata e um bronze. Na última edição dos Jogos, em Guadalajara 2011, ele repetiu o admirável desempenho do Rio de Janeiro. Novamente oito medalhas, sendo seis ouros, uma prata e um bronze.

– Voltando um pouco no meu passado, em 2003, a prova que eu achava que tinha mais chance de estar presente em Santo Domingo era a de 200m peito. E foi uma prova que fui desclassificado no primeiro dia, no Maria Lenk. Aquilo para mim foi: ‘Nossa, agora ferrou. Não vou estar presente nos Jogos Pan-Americanos”. Fui conquistar a prova justamente nos 200m medley, no último dia de competição, na última prova. Isso foi um pouquinho do que aconteceu aqui. Eu nunca imaginei que fosse estar aqui agora. A gente vive cada ciclo olímpico, de quatro em quatro anos, a nossa carreira é programada assim. Eu nunca imaginaria a tremenda importância daquele Pan de Santo Domingo, onde tivesse a oportunidade de trocar ideias e aprender com Gustavo Borges, Xuxa (Fernando Scherer) e Rogério Romero. Eu era um moleque de 17 anos e pensava se algum dia eu teria a oportunidade de estar ali também representando meu país.

Apesar de em alguns momentos falar em tom de despedida, Thiago Pereira garante que ainda não sabe dizer se Toronto foi a sua última edição dos Jogos Pan-Americanos. Só depois das Olimpíadas do Rio, em 2016, é que espera decidir se vai parar ou se seguirá mais adiante.

– Eu fiz sempre meu ciclo de quatro em quatro anos. Toda a minha carreira fiz sempre pensando nos próximos Jogos. Acho que muita coisa pode acontecer, são quatro anos. Não vou falar que vou estar, nem que não vou estar. Vou deixar rolar a cada ano.

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