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De 1996 para cá, quem foram os finalistas olímpicos do Brasil

Publicado em 13/08/16, aqui

Os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996 foram a última competição olímpica no formato final A (onde entram os 8 melhores tempos das eliminatórias), final B (do 9o. ao 16o. tempo das eliminatórias). Os atletas que entram na final A eram os únicos a disputar as medalhas, não adiantava bater o recorde mundial na final B que o atleta permaneceria com a 9a. colocação. Em 1998 foi o último Campeonato Mundial neste formato, e em 1999, no Campeonato Mundial de Piscina Curta, realizado em Hong Kong, foi a primeira competição internacional organizada pela FINA a adotar o formato eliminatórias/semifinais/final para as provas de 50 e 100 metros. Foi mantido o mesmo número de dias, mas para a Olimpíada de Sydney, o número de dias foi ampliado de 7 para 8, justamente para que o programa de provas tivesse também as semifinais das provas de 200 metros, além das provas de 100 e da prova de 50 livre.

Esta introdução foi para compreender o porquê muito se fala em “maior número de finais da natação brasileira”. O sistema de classificação mudou e é tentar comparar cenoura com laranja antes de 2000. Em Atlanta, o Brasil saiu com 3 medalhas: 1 prata e 2 bronzes. Foram 6 finais: Fernando Scherer nos 50 e 100 livre, Gustavo Borges nos 50, 100 e 200 livre, e o revezamento 4×100 livre. Fora isso, ainda tiveram mais 5 finais B. A grosso modo, contando só finais, esta foi a melhor participação olímpica do Brasil: 11.

Em Sydney, foi primeira Olimpíada com o sistema de semifinais – classificando-se os 16 melhores tempos das eliminatórias e redistribuindo-se em duas semifinais (melhor tempo, raia 4 segunda semifinal, segundo melhor tempo raia 4 primeira semifinal e assim por diante – clique aqui para saber mais sobre o sistema de balizamento da FINA). Foram 2 finais, Rogério Romero nos 200 costas e o 4×100 livre masculino, e 4 semifinais: Borges nos 100 livre, Rogério nos 200 costas, Alexandre Massura nos 100 costas e Leonardo Costa nos 200 costas. Uma única medalha, de bronze, no épico 4×100 livre masculino de Borges, Scherer, Jayme e Edvaldo Bala.

Em Atenas, 2004, o número de finais aumentou para 5: Joanna Maranhão nos 400 medley, Thiago Pereira nos 200 medley, Gabriel Mangabeira nos 100 borboleta, Flávia Delaroli nos 50 livre e o 4×200 livre feminino. Semifinais foram 8: Fernando Scherer nos 50 livre, Eduardo Fischer nos 100 peito, Thiago, Rogério Romero nos 200 costas, Mangabeira, Flávia, e Rebeca Gusmão nos 50 livre.

Em Beijing, 2008, a melhor performance da seleção brasileira em Jogos Olímpicos: duas medalhas, ouro nos 50 livre e bronze nos 100 livre, ambos de Cesar Cielo. Seis finais: Cielo nos 50 e 100, Gabriella Silva nos 100 borboleta, Kaio Márcio Almeida nos 200 borboleta e Thiago Pereira nos 200 e 400 medley. Foram 8 semifinais: Cielo 50 e 100 livre, Kaio 100 e 200 borboleta, Gabriella 100 borboleta, Thiago 200 medley, Rodrigo Castro nos 200 livre e Nicholas Santos nos 50 livre.

Em Londres, 2012, duas medalhas: prata para Thiago Pereira nos 400 medley e bronze para Cesar Cielo nos 50 livre. Foram 5 finais: Thiago nos 200 e 400 medley, Cielo nos 50 e 100 livre e Bruno Fratus nos 50 livre. O maior número de semifinais foi aqui, com 10: Fratus nos 50 livre, Cielo nos 50 e 100 livre, Thiago nos 200 medley, Henrique Rodrigues nos 200 medley, Joanna Maranhão nos 200 medley, Tales Cerdeira nos 200 peito, Leonardo de Deus nos 200 costas, Felipe Lima e Felipe França nos 100 peito.

No Rio, 2016, nenhuma medalha até antes das finais do último dia, que terá Etiene Medeiros nos 50 livre e o revezamento masculino 4×100 medley, últimas chances de medalhas nestes Jogos. Mas as finais e semifinais foram concluídas. Foram 8 finais: Thiago Pereira nos 200 medley, Felipe França e João Luiz Gomes Junior nos 100 peito, os revezamentos 4×100 livre e 4×100 medley masculino, Marcelo Chierighini nos 100 livre, Bruno Fratus nos 50 livre e por último Etiene Medeiros nos 50 livre. Semifinais foi o maior aumento, com 16: Fratus nos 50 livre, Etiene nos 50 e 100 livre, Chierighini nos 100 livre, Guilherme Guido nos 100 costas, França e João nos 100 peito, Kaio Márcio nos 200 borboleta, Leonardo de Deus nos 200 borboleta e 200 costas, Ítalo Manzine nos 50 livre, Manuella Lyrio nos 200 livre, Daiene Dias e Daynara de Paula nos 100 borboleta, e Thiago e Henrique Rodrigues nos 200 medley.

RESUMO

ANO MEDALHAS FINAIS SEMIFINAIS
1996 3 11 (6 finais A, 5 finais B)
2000 1 2 4
2004 0 4 8
2008 2 6 8
2012 2 5 10
2016 0 8 16
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Entrevista Rogério Romero Bom Dia Minas

https://www.youtube.com/watch?v=YWLz_p9pKHg

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Clipping Natação Reportagem

As viagens olímpicas de Rogério Romero

Publicado em 08/08/16, aqui

Ele foi o primeiro nadador do mundo a participar de cinco edições de Jogos Olímpicos, o único brasileiro finalista em quatro e já começou a acertar suas previsões. Quando conversamos, no começo de julho, Rogério Romero cravou que Katinka Hosszú bateria recordes e conquistaria medalhas (assim mesmo, no plural) nessas Olimpíadas. No último sábado ela deu o primeiro passo para cumprir a profecia nos 400m medley. Agora é esperar para ver se as palavras de Rogério também dão sorte para os brasileiros. O ex-nadador (atual gerente de Esportes do Minas Tênis Clube) acredita que o nosso time pode levar duas medalhas na natação e ter o melhor resultado global do Brasil na Rio 2016.

Atlanta

Mas vamos falar de viagem, que é o que interessa? O esporte foi o ponto de partida de Rogério para conhecer o mundo.

Foi como atleta profissional que ele visitou a maior parte dos 40 países em que já esteve. Por isso mesmo, diz:

“Ás vezes eu fui, mas não conheci.”

A rotina pesada de treinos e competições quase não abria espaço para o turismo.

Ele saiu do Brasil pela primeira vez em 1987. Participou de uma competição em Maldonado, no Uruguai, de um campeonato universitário na Europa e foi treinar nos Estados Unidos, se preparando para a primeira Olimpíada.

Um ano depois, estava em Seul, na Coreia do Sul, numa época em que não existia internet e a globalização ainda não tinha acontecido. Foi lá que ele provou kiwi pela primeira vez e viu personalidades de pertinho.

Era mais difícil você conseguir informações sobre grandes atletas, então, eu assinava uma revista americana, mas chegava aqui com dois meses de delay.”

Rogério ficou emocionado ao se dar conta de que estava lado a lado com Matt Biondi (medalhista olímpico na natação em três Olimpíadas) e ainda encontrou Arnold Schwarzenegger, que fazia sucesso nas telas em O Predador. Nada disso tirou o foco da competição.

Você tem que estar lá no 110% naquele momento. […] Pra mim foi um sonho poder ver, curtir, todas as provas de natação e também participar de uma final olímpica.”

O ex-nadador pode não ter tido muito tempo para conhecer Seul, mas o Catraca Livre fez um post com cinco bons motivos para você ir à capital coreana. Já o Quanto Custa Viajar tem o cálculos dos valores que você vai gastar para passear por lá.

A segunda Olimpíada que Rogério disputou foi em 1992, em Barcelona. Para ele, um exemplo de Olimpíada perfeita e de bom legado dos Jogos numa cidade. O atleta tentou conhecer um pouco da capital catalã, mas o tempo livre foi curto. Em 2003, quando voltou para disputar outra competição, fez questão de tirar alguns momentos para o turismo.

Atletas de esportes muito populares não costumam ficar na Vila Olímpica para evitar o assédio. Apesar disso, às vezes, fazem visitas surpresas.  Na cidade espanhola Rogério perdeu a chance de estar com um dos times que mais admirava. A seleção americana de basquete foi à Vila. Ele até queria tietar o Dream Team, mas não estava no setor por onde eles passaram.

Se ele não encontrou com o time de basquete, pelo menos já esteve diante de um presidente americano. Em 96, em Atlanta, Rogério viu Bill Clinton.

O ex-nadador não quis eleger uma Olimpíada preferida, mas foi em 2000, em Sidney, que ele conquistou o melhor resultado.

Ficou em sétimo lugar geral na categoria nos 200m costas, depois de investir num longo treinamento, morando um tempo nos Estados Unidos.

Já em 2004, em Atenas, o clima era outro. Rogério se despedia das Olimpíadas e decidiu viver o momento de maneira relaxada, passeou bastante pela capital grega, se divertiu com o clima da Vila, aproveitou com alegria a despedida.

As histórias mais inusitadas das viagens do atleta não são de Olimpíadas. Nos Jogos, a concentração é total e o espaço para aventuras fica pequeno. Em outros torneios, há mais espaço para vivências além da esportiva.

Em 87, por exemplo, num campeonato universitário na Europa, ele resolveu adiar a volta ao Brasil e fez uma viagem de trem passando por seis países. Como o dinheiro era curto, comprava passagens noturnas e dormia nos trens.

Em Split, quando ainda existia a Iugoslávia, ele e outro nadador alugaram uma bicicleta para desbravar a cidade e acabaram numa praia de nudismo.

Em Roma a surpresa não foi boa. O técnico de Rogério teve a carteira furtada. A sensação de impotência bateu à porta.

Num campeonato na China a dieta foi à base de pizza e hambúrguer para evitar as comidas não identificadas que eram servidas.

Em Liechtenstein ele teve tempo para percorrer o país de carro, e, apesar de dizer que não viu nada muito interessante, adorou a experiência.

Boa parte desses casos é de uma época pré fotografia digital. Um tempo em que, para Rogério, era muito mais fácil para o atleta ser uma personalidade pública.

Se antes as coisas eram selecionadas naturalmente, hoje, dificilmente você seleciona. Você está sendo filmado, fotografado, ouvido, o tempo todo.”

Como dirigente esportivo, ele está sempre alertando os jovens sobre os cuidados necessários com as redes sociais e os perigos da superexposição e lembra que a imagem construída nas redes acaba moldando a visão sobre o esportista.

Ainda assim, o ex-nadador lembra que o atleta é um extrato da população, por isso, é uma ilusão esperar que todos sejam um exemplo de conduta.

Em relação à delegação brasileira de natação, ele diz que o fator casa é um diferencial e precisa ser aproveitado por quem está competindo. Para Rogério, a equipe está bem consistente e cita Ítalo Duarte, Etiene Medeiros e Thiago Pereira como alguns dos que podem ter os melhores resultados.

No quadro geral, ele diz que a seleção americana ainda é A seleção a ser batida. Atrás dela estão Austrália, Alemanha, Japão, Rússia e o próprio Brasil.

O menino de Londrina que conheceu o mundo pelas piscinas fez a gente mergulhar com ele nas viagens do esporte.

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Clipping Natação Reportagem

Sydney 2000, a Seleção Brasieira 15 anos depois

Publicado em 23/09/2015, aqui

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Hoje, há exatos 15 anos, terminava a natação dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, o primeiro deste século.

O Brasil não conseguiu repetir o sucesso da Olimpíada anterior em Atlanta 1996, considerada a melhor da história de nossa natação com três medalhas e cinco finais. Em Sydney, foram apenas duas finais, mas coroada com uma performance de “ouro” para a medalha de bronze do revezamento 4×100 livre, última vez que o Brasil chegou a uma final olímpica em provas de revezamento.

Desde então, muita coisa mudou, outras nem tanto, e todos os doze nadadores que representaram o Brasil em Sydney já se aposentaram. Quem segue na ativa, e pelo que se diz, no seu último mandato, é o Presidente da CBDA, Coaracy Nunes, na época chefe da delegação de natação.

A comissão técnica tinha a chefia de Ricardo de Moura, hoje ocupando o cargo de diretor geral da CBDA e tinha três treinadores estrangeiros: Dennis Dale da Universidade de Minnesota, Joe Goecken treinador de Bolles e Michael Lohberg.

Dennis Dale era técnico de Alexandre Massura e se aposentou há dois anos. Joe Goecken era técnico de Carlos Jayme e Gustavo Borges no Bolles School em Jacskonville, na Flórida. Atualmente, Goecken trabalha num cargo administrativo da USA Swimming. Michael Lohberg, técnico alemão radicado nos Estados Unidos, era o técnico de Rogério Romero e Fabíola Molina. Lohberg faleceu em 2013 vítima de uma doença hepática.

Os outros três treinadores eram brasileiros. Luiz Raphael, na época treinador de Luiz Lima, segue no mesmo clube, o Fluminense onde é o treinador principal até hoje. Luiz Raphael chegou a se aposentar das bordas de piscina para se dedicar a sua própria academia, mas retornou, e segue a frente do Fluminense.

Sérgio Silva era o técnico de Edvaldo Valério, o homem que fechou o revezamento de bronze do Brasil. Serjão se aposentou das bordas como treinador há quase dez anos, mas segue ligado a natação baiana. Atualment está no seu terceiro mandato como Presidente da Federação Baiana de Desportos Aquáticos.

Reinaldo Dias era o treinador do Minas Tênis Clube em 2000. Depois esteve no Flamengo até se mudar para o Perú em 2005. Lá, dirigiu por anos o Clube de Regatas Lima. Atualmente, ocupa o cargo de diretor técnico da Federação Peruana de Natação.

No grupo de doze nadadores em Sydney, apenas uma mulher. Fabíola Molina que ficou em 24o lugar nos 100 costas e 36o nos 100 borboleta. Fabíola ainda esteve em mais duas Olimpíadas depois desta. Ficou de fora de Atenas em 2004, mas nadou em Beijing 2008 e Londres 2012. Se aposentou das piscinas em 2013, é uma empresária de sucesso a frente da sua linha de maiôs e sungas. Vai inclusive lançar a linha Rio 2016 em produtos licensiados pelo Comitê Rio 2016.

Dois anos depois de Sydney, Fabíola começou a namorar com o também nadador Diogo Yabe. Em 2006, os dois estavam casados e no ano passado tiveram a primeria filha, Louise Maria.

Filhos daquele grupo de 2000 já são quinze.  Fernando Scherer, Gustavo Borges, Rodrigo Castro, Alexandre Massura, Rogério Romero, André Cordeiro tem dois cada um, mais Luiz Lima, Fabíola e Edvaldo Valério com um.

Naquele grupo de 2000, apenas Gustavo Borges, Fernando Scherer e André Cordeiro já eram pais. Gustavo era casado com a também nadadora Barbara Franco Borges, Luis Gustavo havia nascido no ano anterior. Depois, eles ainda tiveram Gabriela. Os dois filhos são atletas do Pinheiros, clube onde Gustavo conseguiu os seus maiores resultados.

Gustavo Borges segue envolvido com a natação. Comanda a Metodologia Gustavo Borges, líder do mercado nacional e atuando em quase 200 academias e escolas de natação num sistema que planifica e organiza a aprendizagem do esporte. É dono de academias de natação e faz parte do Time de Ouro da Rede Globo que vai atuar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Gustavo não estava bem em 2000. Por conta disso, foi para a Olimpíada no sacrifício e resumiu sua participação aos 100 livre onde parou nas semifinais em 16o lugar e no revezamento onde foi o segundo a pular na água fazendo o melhor tempo da equipe.

Fernando Scherer já tinha uma filha, Isabella Scherer, gaúcha, hoje com 19 anos de idade. Depois de atuar no reality show A Fazenda, conheceu Sheila Mello. Casou e teve a segunda filha, Brenda. Xuxa foi o nadador que abriu o revezamento de bronze em Sydney. Fora isso, ainda nadou os 50 livre não passando das eliminatórias. Sua participação foi ameaça em todos os momentos. Uma torção no pé fez Xuxa sofrer e nadar no sacrifício na Olimpíada.

Ele ainda nadou até 2004 quando fez a sua terceira e última Olimpíada. Trabalha desde 2008 na Rede Record de Televisão onde é o comentarista de natação da emissora.

O terceiro pai da equipe olímpica de 2000, André Cordeiro foi para Sydney disputar a sua segunda Olimpíada. Depois de estar no revezamento 4×100 livre de Atlanta em 1996 que terminou em quarto lugar, nesta vez foi como nadador reserva e não competiu. Tinha uma filha, Bruna, na época com seis anos, e que depois viria a se tornar uma nadadora de destaque nas categorias inferiores do Corinthians.

André segue envolvido com natação. É um dos integrantes da comissão técnica do Minas Tênis Clube e já com passagens pela Seleção Brasileira Juvenil.

O time do Brasil ainda teve outro reserva que não nadou em Sydney. Foi César Quintaes Filho, este disputando sua única Olimpíada, sem nunca ter nadado uma prova. Cesinha, era o reserva para o 4×100 livre medalha de bronze. Esteve em outras formações anteriores, mas para Sydney, foi como o quinto nadador da prova.

Médico do SAMU, Dr. César Quintaes Filho hoje salva vidas e está casado desde o ano passado.

O revezamento de bronze ainda tinha Carlos Jayme e Edvaldo Valério. Jayme já estava nos Estados Unidos de onde nunca mais voltou. Se formou na Universidade da Flórida e atualmente é empresário em Nova Iorque. Lá casou com Catherine que está grávida do seu primeiro filho.

Edvaldo Valério nunca havia saído da Bahia até os Jogos de Sydney, porém após o bronze olímpico sofreu com a falta de patrocínio e apoio local. Esteve no Minas Tênis Clube em Belo Horizonte e no Grêmio Náutico União em Porto Alegre até se aposentar. Este ano teve o lançamento da sua biografia em Salvador. O livro “Edvaldo Bala Valério, Braçada da Esperança” traz um pouco de toda a carreira do nadador.

Atualmente, Valério comanda o Centro Aquático Edvaldo Valério, uma série de piscinas arrendadas na Bahia em turmas de aprendizagem e natação masters.

Quem está preparando uma biografia é Eduardo Fischer. O nadador de peito da Seleção de 2000, Fischer ficou em 31o lugar nos 100 peito. Foi sua primeira Olimpíada. Voltaria em Atenas 2004 quando chegou as semifinais da prova.

Casado desde 2010, Eduardo Fischer é advogado e proprietário de uma loja de suplementos em Joinville. Nunca fez uma despedida oficial, mas deixou os campeonatos nacionais desde 2012. Ainda aparece em algumas disputas regionais em Santa Catarina, sempre defendendo a sua amada Joinville. Talvez seja o nadador que mais Jogos Abertos de Santa Catarina disputou em toda a história.

O revezamento 4×200 livre de Sydney ficou em 13o lugar. Gustavo Borges optou por não nadar a prova. O time tinha Rodrigo Castro, Leonardo Costa, Edvaldo Valério e Luiz Lima.

Rodrigo Castro aos 21 anos de idade fazia a sua primeira das três Olimpíadas que disputou. Naquele ano de 2000 foi o ano que Rodrigo Castro entrou para a University Southern California onde se graduou em Economia. Se aposentou em 2012 e Rodriguinho talvez seja um dos poucos, senão o único, nadador de alto nível do Brasil que defendeu apenas um clube em sua carreira: o Minas Tênis Clube.

Há dois anos, Rodriguinho é o Vice Presidente da FAM – Federação Aquática Mineira e iniciou um empreendimento na área turística, é dono do Samba Hotéis.

Leonardo Costa fez em Sydney sua primeira e última Olimpíada. Era companheiro de Rodrigo Castro na USC nos Estados Unidos e ainda teve grandes resultados nos anos seguintes. Fora dos Jogos de Atenas em 2004 ensaiou uma aposentadoria, mas tentou voltar aos treinos. Acima do peso, acabou tomando um remédio para emagrecer e testou positivo. Era o fim da sua carreira.

Leo mora em João Pessoa. Voltou a natação, agora como técnico e mantém um programa de natação no mar. Foi insipirado pelo companheiro de equipe Luiz Lima.

Luiz fez em Sydney a sua segunda e última Olimpíada. Ainda tentou sem sucesso em 2004. Ficou em atividade e segue treinando. Participa das competições de águas abertas onde foi antes da nova geração o nosso melhor representante.

O nome de Luiz segue associado as águas abertas sendo o pioneiro de programas de treinamento exclusivos para a modalidade. Seu programa social “Natação no Mar” serviu de base e inspiração para muitos no país. Há seis anos criou o Gladiadores, o primeiro clube de natação focado nas águas abertas e que tem sede na praia de Copacabana.

Em Sydney, Luiz Lima ficou em 17o lugar nos 400 livre e 18o nos 1500. Foi a última vez que o Brasil teve um nadador na prova de 1500 livre em Jogos Olímpicos.

Casado com uma ex-nadadora, Milene Comini, é pai de Luiza, atleta da equipe Mirim do Marina Barra Clube.

Aliás, a irmã de Milene, Patricia, também ex-nadadora, casou com Rogério Romero, e tem duas filhas. O Piu fez em Sydney sua quarta Olimpíada. Voltaria em Atenas 2004 para fechar a quinta, recorde na história dos atletas olímpicos do Brasil.

Nestas cinco Olimpíadas, foram duas finais. O melhor resultado foi exatamente em Sydney, sétimo lugar com 2:00.48 nos 200 costas, a sua prova favorita. Piu ainda nadou os 100 costas terminando em 23o lugar.

Depois de atuar como integrante do Governo Estadual de Minas Gerais como Secretário de Esportes, Rogério Romero iniciou esta temporada como Gerente Geral Esportivo do Minas Tênis Clube.

Alexandre Massura Neto também atuou com Rogério Romero na Secretaria de Esportes e Turismo de Mina Gerais. Depois disso, Massura esteve trabalhando para a FIFA no projeto da Copa do Mundo no Brasil. Este ano, passou a atuar na Effect Sport no Rio de Janeiro.

Massura ainda treinava nos Estados Unidos em 2000, Era atleta da Universidade de Minnesotta, então recordista da universidade e um dos principais atletas da equipe no NCAA. Sydney foi sua segunda Olimpíada. Foi para Atlanta em 96 para nadar o revezamento 4×100 livre terminando em quarto lugar. Em Sydney, chegou as semifinais dos 100 costas, terminou em 13o lugar com 56.07.

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Belo Horizonte poderá ganhar a subsede das Olimpíadas 2016

Publicado em 06/08/2008, aqui

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ELO HORIZONTE (06/08/08) – A capital mineira sediará jogos de futebol das Olimpíadas 2016, caso o Rio de Janeiro venha a ser escolhido como cidade-sede do evento. A inclusão da capital mineira na proposta que será enviada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), em fevereiro de 2009, foi comunicada ao secretário-adjunto de Esportes e da Juventude, Rogério Romero, nessa terça-feira (5), em Belo Horizonte. O comunicado foi feito pelo gerente-geral de Relações Institucionais do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Fábio Starling, em reunião na Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude (Seej).

“O Comitê Olímpico Brasileiro verificou o que as cidades brasileiras já oferecem em termos de infra-estrutura e o que pretendem realizar para sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014, de forma a comprovar se elas atendem às exigências do Comitê Olímpico Internacional”, explicou o gerente-geral. Ele revelou que , além de Belo Horizonte, já está certa a indicação ao COI de Brasília, Salvador e São Paulo.

O Rio de Janeiro é oficialmente candidato a sediar as Olimpíadas 2016. Fábio Starling afirmou que o encontro com representantes do Governo do Estado e da Prefeitura de Belo Horizonte já foi uma reunião de trabalho, já que o Comitê Olímpico Brasileiro e a Comissão de Candidatura Rio 2016 apresentaram ao COI, em Lausanne, na Suiça, garantias que superaram as exigências apresentadas.

Eventos internacionais

“Essa é mais uma ação decorrente da política de governo de criação das condições necessárias para o recebimento de disputas internacionais de modalidades esportivas diversas”, explicou o secretário de Estado de Esportes e da Juventude, Gustavo Corrêa, lembrando que Minas Gerais já sediou competições internacionais de futebol, vôlei, tênis, natação e judô.

Gustavo Corrêa enumerou alguns torneios e jogos internacionais já realizados em Minas Gerais. “Em 2003, sediamos o Troféu Brasil de Judô. No ano seguinte, fomos sede do jogo Brasil e Argentina, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, o que se repetiu este ano, pelas eliminatórias da Copa 2010. Em 2006, recebemos também a Seletiva Nacional de Judô. Em 2005, Minas Gerais recebeu os atletas para a etapa final da Copa do Mundo de Natação, o que se repetiu em 2006 e 2007, ano em que também sediamos pela primeira vez a Etapa Brasil da Copa do Mundo de Judô”, explicou o secretário.

Gustavo Corrêa informou que a etapa brasileira das Copas do Mundo de Judô de 2009 também será realizada em Belo Horizonte, como foi a etapa deste ano. Ele lembrou ainda que Minas Gerais foi sede, no ano passado, do jogo entre Brasil e Canadá, válido pela Liga Mundial de Vôlei e, em 2006, da partida entre Brasil e Suécia, válida pelo play off do grupo mundial da Copa Davis e do Aberto de Tênis de Mesa.

Presenças

Representando o Comitê Olímpico Brasileiro, participaram da reunião Fábio Starling, o diretor de Serviços dos Jogos, Ricardo Trade, e o consultor jurídico Rafael Lima. O Estado de Minas Gerais foi representado por Rogério Romero, João Victor Silveira Rezende, da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, Inês Regina Ribeiro Soares, da Secretaria de Estado da Fazenda, e Fernando Rolla, da Auditoria- Geral do Estado. Sidney Jairo Zabeu e Paulo Roberto Prestes (SMAES), Rodrigo Perpétuo (SMARI), Izabel Dias (SMPL), Mauro Rubens Silva Soares e Marco Aurélio Penzin (Belotur), Kátia Kauark Leite (BHTRANS) representaram a administração de Belo Horizonte.

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Assuntos Gerais

Atlanta e a caçada que durou 5 anos

Os Jogos Olímpicos de Atlanta foram, de longe, a pior edição que participei. E não foi (apenas) por conta do meu fraco resultado, nem por ver o italiano Emanuele Merisi ficar com o bronze em uma fraca final dos 200m costas, mas também pelo espírito exacerbado de capitalismo puro que foi dado. Começando pela força da Coca Cola em retirar a simbólica olimpíada centenária de Atenas, até ao pouco caso do legado esportivo para a cidade (a piscina virou estacionamento).

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Rudolph não se mostrou arrependido.

Para piorar esta situação toda, lembrei, logo após este atentado em Boston, a bomba no Parque Centenário. Estava em minha primeira e última noite fora da Vila Olímpica (os 200m costas geralmente é disputado no último dia do programa da natação…), quando houve um rebuliço e logo fomos avisados para retornar para a Vila. Apenas no outro dia as informações começaram a chegar com mais clareza e, com isso, uma apreensão geral. No fundo, eu não acreditava que poderia haver mais problemas, mas a segurança falava mais alto.

Ao contrário do rápido desfecho em Boston (ou ao menos muito próximo, ao que tudo indica), Atlanta apresentou primeiro um bode expiatório: Richard Jewell. O coitado foi de condenado a herói (foi um dos primeiros a notar a bomba e começar a evacuar o espaço).

Em 1998, anunciaram o verdadeiro culpado, Eric Robert Rudolph, chegou a ser um dos 10 fugitivos mais procurados nos EUA, com uma recompensa de um milhão de dólares, sendo capturado apenas em 2003.

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Scherer e Borges: esta foi a parte boa de Atlanta.

Mas Atlanta também trouxe a experiência única de presenciar amigos ganhando medalhas. Gustavo e Xuxa (e quase o revezamento 4x100m livre), nos deram a alegria de três medalhas. Mas isso é outra história…

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Cinco olimpíadas e o objetivo de ser feliz

Publicado em Memória Olímpica
12/04/2012

Por Nayara Barreto e Thyago Mathias

“A natação brasileira tem evoluído muito, mas, por outro lado, houve uma decadência dos clubes que investiam nesses atletas. Hoje, menos clubes disputam os campeonatos regionais, estaduais e até nacionais. Além disso, o esporte ficou muito caro.”

Em 30 anos dedicados à natação, o paranaense Rogério Romero tornou-se o primeiro nadador no mundo a participar de cinco edições dos Jogos Olímpicos, de 1988 a 2004. Em quatro delas (Seul 1988, Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000), foi finalista olímpico. Trata-se do único nadador brasileiro a conseguir este feito.

Detentor de 29 recordes sul-americanos e 41 brasileiros, bicampeão pan-americano, 15 vezes campeão dos 200m costas no Troféu Brasil de Natação e 10 vezes campeão sul-americano na mesma modalidade, Romero compartilha um pouco de sua história com o Memória Olímpica nesta entrevista. Secretário adjunto da Secretaria de Esportes e da Juventude do Estado de Minas Gerais, casado com a ex-nadadora Patricia Comini da Silva Romero, ele diz que, além do desafio de desenvolver políticas públicas para o esporte, só tem como objetivo o de ser feliz.

Memória Olímpica: Você começou a praticar esporte muito cedo. Começou mesmo pela natação ou por outras modalidades?

Rogério Romero: Comecei realmente muito cedo, com cinco para seis anos. Meus três irmãos mais velhos já nadavam, então acabei seguindo um pouco a carreira deles. Naquela época, houve um incentivo maior dos meus pais, mas, ao fim, acabei gostando muito e me apaixonando pela natação, mas praticava outros esportes, sim. Na escola ou com os amigos… nada muito sério ou profissional. Comecei minha carreira na Associação Cultural Esportiva de Londrina (Paraná), onde fiquei até 1985. Depois, fui para Curitiba, onde fiquei até 1990 no Clube do Golfinho. Na minha primeira olimpíada, em 1988, em Seul (Coreia do Sul), ainda estava no Clube do Golfinho. Depois, vim para Belo Horizonte, para o Minas Tênis Clube, e participei das olimpíadas de 1992 em Barcelona. O esporte sempre esteve muito presente na minha vida.

MO: Depois de de dois Jogos Olímpicos, como ficou sua força de vontade para participar de outras competições?

RR: Quando participei dos Jogos de 1992, pra mim já tinham acabado os ciclos olímpicos. Naquela época, começava-se cedo e acabava-se cedo também. Então, na minha cabeça, já tinha dado minha carreira por encerrada. Meu técnico conversou comigo e resolvi ficar mais um pouco. Esse pouco se prolongou por mais um ciclo olímpico que me levou, em 1996, a Atlanta… como meu desempenho não foi muito interessante nessa Olimpíada, pensei que não haveria mais o que fazer. Acreditava que já tinha alcançado meu ápice e não queria acabar mal. Nesse ano, foi feita até uma despedida, mas depois disso consegui um índice para um campeonato mundial, resolvi participar e isso me deu um estímulo a mais e acabei tendo um horizonte muito mais próspero, podendo participar de cinco olimpíadas.

MO: Como você começou muito cedo, poderia dar uma opinião sobre a importância do esporte na vida de uma criança?

RR: O esporte pode sim fazer muita coisa na vida de uma criança, mas não faz nada sozinho. Precisa ser bem administrado e encaminhado. Além disso, é uma alavanca de valores, ensina muitas questões relacionadas com competição, dedicação, responsabilidade e companheirismo. Mesmo em um esporte individual como a natação, o atleta não faz nada sozinho, o resultado não é só do atleta, é de toda uma equipe que o acompanha. Então, digo que o esporte fez a diferença na minha vida, sim, e pode fazer na vida de todos. Todo esse arcabouço de aprendizagem eu tenho levado para minha vida profissional e pessoal. A natação me deu tudo, até minha esposa (risos)… como ela também é ex-nadadora, compartilha valores iguais aos meus. Além disso, a natação me deu um leque de oportunidades. Só estou hoje na Secretaria de Esporte e Juventude de Minas Gerais graças à visibilidade que tive como atleta. Como no esporte sempre se tem alguma coisa a aprender, o atleta acaba transpondo essa vontade de aprender para outros aspectos de sua vida. Além disso, a vida é uma competição constante e nem sempre você é o primeiro. Por isso, acho que o esporte consegue te dar uma visão clara de que com dedicação você pode sim alcançar todos os seus objetivos, além de ter um senso de justiça muito grande.

MO: Como você tem essa consciência social do esporte, como vê o papel do atleta na sociedade?

RR: O atleta que tem destaque e visibilidade tem que ter a consciência de que, na sociedade, as pessoas estão olhando para ele. Estão se espelhando para o bem e para o mal, a partir da imagem do atleta… esse é um ponto muito importante: entender que o sucesso nas quadras ou nas pistas traz consigo uma responsabilidade muito grande. O atleta não existe só dentro de quadra, ele é uma pessoa que, a qualquer momento de sua vida, pode estar sendo visto e observado e servindo de exemplo. O papel do atleta é o de referência para os jovens, principalmente. O atleta precisa encarar o esporte como algo vital para a sociedade. Na época do Guga, por exemplo, ele foi um espelho em que os jovens se inspiraram e houve uma grande procura pelo tênis. Espero, então, que os atletas, a partir, principalmente, de 2016, também proporcionem um boom de investimentos no país, para estimular não só o esporte de competição, mas principalmente o esporte por prazer.

MO: Nesse sentido, como você encara o apoio e o patrocínio ao esporte no Brasil?

RR: O patrocínio é o lado mercadológico do esporte. Essa questão do patrocinador ser um cara bonzinho que quer ajudar não é verdade. O patrocinador está sempre pensando no que é bom para ele, na captação de um cliente, na imagem da empresa que é socialmente responsável. A gente tem que esclarecer isso: ninguém é “bonzinho” porque está patrocinando um atleta, estão também olhando pelo lado da empresa. Devemos lembrar, porém, que o desenvolvimento do esporte precisa de dinheiro assim como qualquer outra área, dessa forma um patrocinador é bem vindo desde que tenha alguns limites e respeite os limites dos atletas. As exigências não podem ser extrapoladas. Não pode haver uma exigência, por exemplo, de que o atleta vire um garoto propaganda. As figuras precisam ser respeitadas. Se a pessoa esta sendo patrocinada para ser um atleta, tem que ser respeitado o que é prioritário. Ou seja, sua carreira esportiva e seu plano de treinamento.

MO: Você acha que no Brasil isso é respeitado e é feito profissionalmente?

RR: Existem os dois lados. Às vezes, existe um abuso tanto da parte do patrocinador quanto da parte do atleta. Às vezes um atleta acha que o patrocinador esta fazendo uma caridade e não é isso. Essa compreensão tem que existir. Claro que ainda temos muito a caminhar, existe um longo caminho para uma profissionalização maior dessa lógica do patrocínio… é preciso ter mais parâmetros. Existe muito dinheiro envolvido, mas isso por si só não vai acarretar em uma profissionalização sem que cada um saiba exatamente seu papel nesse sistema. Talvez falte um pouco de transparência em tudo isso e a falta de informação é um pouco danosa. Mas em geral, acho que o respeito acontece sim no país.

MO: Você se tornou o único nadador brasileiro a participar de cinco edições dos Jogos Olímpicos. Qual é o impulso que isso dá à carreira de um atleta? Pode também contar como é a experiência de participar dos jogos e se há muita diferença entre as edições?

RR: Entendo que a olimpíada é o ápice para os atletas na maior parte das modalidades esportivas. A própria participação já traz uma aura de vencedor, independente de medalhas e resultado, porque se trata de um evento que acontece a cada quatro anos. Há toda uma preparação e expectativa em torno disso. Não é algo corriqueiro. O atleta tem que estar bem na hora certa e no momento certo. Além disso, a experiência olímpica é fascinante e cada edição, cada sede, tem um fascínio diferente, uma particularidade própria do momento, da cidade, do país, do desempenho… tudo isso contribui muito para as lembranças. O atleta poder participar de uma olimpíada é muito bacana, mas ele tem que ter consciência do que é a cobrança. Cada um encara de uma maneira, mas é importante entender que o fato de não levar uma medalha não quer dizer que o atleta seja um perdedor. O atleta precisa entender essa filosofia. Do contrário, vai se desgastar muito. Tem que saber aproveitar o momento, mas sabendo qual é o objetivo, e treinar muito para participar da melhor forma possível e se preparar bem. Saber que o atleta deu o seu melhor e que o resultado foi justo proporciona um grande conforto e confiança. Vale à pena dar tudo de si, pois as olimpíadas representam a maior competição para um atleta

MO: Você também foi Campeão Pan-Americano em Havana 1991 e Santo Domingo 2003. Qual a importância dessas vitórias em sua carreira? E qual a maior diferença entre participar de uma olimpíada e vencer um Pan?

RR: O Pan para o Brasil é muito bom, pois consegue dar ao atleta a perspectiva de chegar entre os primeiros. Para a natação, são duas competições muito distintas. Nos jogos olímpicos existem mais de uma centena de países competindo e a disputa acaba sendo muito mais pulverizada, ao contrário do Pan, em que podemos ver algo muito canalizado, especialmente pelos americanos, que têm um potencial sempre muito grande. Além disso, atletas de outros países também treinam ou já treinaram nos Estados Unidos. Então, temos que ver esse cenário também, de supremacia americana. Mas dizer que ganhar o Pan-Americano é mais especial do que participar de uma olimpíada eu não posso. Diria que é diferente. A sensação de subir em um pódio e ouvir o Hino Nacional é sublime, não dá para falar que não, e não tive a oportunidade de sentir isso em uma olimpíada. Mesmo assim, pude vibrar muito quando outros brasileiros subiram do pódio. São, então, experiências bem diferentes, não tem como comparar. São muito distintas e muito especiais.

MO: A que você atribui ter conquistado tantas vitórias em sua carreira? Quem foi sua maior inspiração e incentivo?

RR: Fonte de incentivo sem dúvida foi minha mãe. A Dona Odete ia a todos os lugares. Sempre ali do meu lado, quando fui campeão Pan-Americano pela primeira vez e em todos os outros momentos, ela foi a grande incentivadora. Não só ela, mas toda a minha família. O núcleo familiar é muito importante na carreira de um atleta, a família é um porto seguro que está sempre apoiando independente do resultado. Para o atleta, ter esse apoio, principalmente nos momentos difíceis, é extremamente importante. E inspiração… foram diversas. Principalmente, a do grande nome da natação que foi o Ricardo Prado, nunca escondi de ninguém. Ele me mostrou que o empenho pode gerar resultados muito positivos. Pra mim, ele foi a referência no início. E além disso, me inspiro em todo e qualquer grande atleta que luta com talento e dignidade, pois cada um a sua maneira tem alguma coisa que o faz o melhor do mundo e buscar referências de atletas que têm atitudes certas é muito positivo. O Oscar (Schmidt), por exemplo, ficava depois dos treinos praticando seu lance livre e isso fazia a diferença. Busco sempre acompanhar isso tudo para me inspirar.

MO: Você foi 15 vezes campeão dos 200m costas no Troféu Brasil de Natação. Como você avalia o cenário brasileiro de competições de natação?

RR: Hoje, o cenário é fortíssimo. Fico impressionado com tantos nomes que estão surgindo das mais diversas regiões do Brasil e nos mais diversos estilos. São nadadores de alto nível como César Cielo e o Tiago Pereira, que estão entre os dez melhores das suas provas no ranking mundial. A natação brasileira tem evoluído muito. A competição esta muito forte e o nível esta se elevando muito. Mas, por outro lado, devemos salientar também que houve sim uma decadência dos clubes que investiam nesses atletas. Hoje, menos clubes disputam os campeonatos regionais, estaduais e até nacionais, essa é uma grande preocupação. Acredito que não há o interesse que havia anteriormente e, além disso, o esporte ficou muito caro. Nesse sentido, não vejo tanta sustentabilidade no cenário brasileiro. O poder público deveria sim dar um auxílio, mas isso tem que ser feito em conjunto com a família, com os próprios atletas e com toda a comunidade.

MO: Quais os objetivos que você traça no atual estágio da sua carreira? E quais são seus planos futuros?

RR: Um dos principais objetivos é tentar, dentro do contexto político, implementar algumas coisas que são muito importantes para o esporte, buscar meus objetos dentro de toda essa realidade política que nós conhecemos, na qual há muita restrição orçamentária, procurando sempre adequar essa realidade às necessidades. Mas o maior objetivo mesmo é continuar construindo minha família. Agora, com as minhas duas filhas, quero fazer uma família saudável que se respeite, incentivar o esporte e dar todo o apoio de que precisarem. Caso elas queiram fazer carreira na natação, ótimo, mas elas é que irão decidir o futuro. No fim, meu grande objetivo é ser feliz.

MO: Como você avalia o problema do doping nos esportes e que mensagem você deixaria para os jovens atletas?

RR: Doping é algo que vai estar sempre junto com as competições esportivas. Infelizmente, isso é uma guerra sem fim e o combate a isto precisa continuar, sem dúvida nenhuma.  A responsabilidade quanto ao doping deve ser não só do atleta, mas de toda a equipe. Ou seja, do treinador, do médico e de toda a equipe multidisciplinar que esteja envolvida com o desempenho do atleta. Esse cuidado deve ser tomado de forma mais responsável e cada vez mais veemente. Acredito que, quanto mais o atleta vai progredindo, mais neurótico, de certa forma, ele precisa ficar, pois o doping ronda e o atleta tem que estar sempre alerta para cuidar de sua saúde. E, claro, não vale à pena destruir tanto a saúde e a carreira, ter o nome exposto e ligado a algo tão ruim por conta de uma glória momentânea.

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Natação

Park estaciona sua carreira

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Park: 4 medalhas olímpicas, 2 faculdades e um militar.

Park Tae Hwan, herói olímpico coreano, não vai tentar o bi nos 400m livre no Mundial deste ano, em Barcelona.

Os boatos, devido à sua aparição em um programa de culinária (Ana Maria Braga coreana?) e a perda de um patrocínio recente, é que estaria desmotivado pelo pouco incentivo financeiro. Será que a crise chegou nos Tigres Asiáticos também?

A outra versão é de que vai dar um tempo para poder estudar em tempo integral, ao menos neste ano. Rio 2016 ainda não foi descartado.

Independente do que seja, provavelmente uma junção das duas, seria difícil imaginar um nadador com 4 medalhas no Brasil, incluindo uma de ouro, passando este tipo de situação? Digo, vou dar um tempo para acabar minhas faculdades de Educação Física e Psicologia? Sinceramente, acho que esta é a situação mais inusitada, e não a falta de apoio.

Segue uma das inúmeras campanhas publicitárias que o Marine Boy fez nos últimos anos. Será que, tal qual alguns de nossos atletas, torrou toda sua grana achando que ia ficar assim para sempre?

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Reportagem

Quinta final: recordes mundiais nos 200m peito

Desda vez não deu. Numa final muito rápida (6 nadando abaixo de 48s) Cielo finalizou em sexto. Para adicionar mais uma surpresa para estes Jogos Olímpicos: Nathan Adrian vence o australiano James Magnussen pela menor margem possível: um centésimo. Bronze para o canadense Hayden, após um vacilo que o colocaria nesta mesma posição quatro anos atrás.

Nathan Adrian: a zebra está à solta em Londres. (AFP)

Thiago Pereira passou tranquilo para a grande final de amanhã e acho que pode vir outra prata por aí. Henrique Rodrigues, nos 200m medley, e Leonardo de Deus, nos 200m costas, não conseguiram avançar.

A maldição do tri continua, e aproveito para corrigir a informação de ontem. Phelps ainda tem mais duas chances para atingir esta marca, nos 200m medley e nos 100m borboleta. Outro tri, este não seria inédito, também pode ser alcançado por Coventry nos 200m costas.

Mas os 200m peito teve emoção suficiente, pois foi necessário um recorde mundial para o húngaro Daniel Gyurta vencer o inglês Michael Jamieson que, por sua vez, não pode reclamar, afinal abaixou 2s da sua melhor marca. Como ele não é chinês, ninguém vai levantar suspeitas. Rui Tateishi deu o sexto bronze para o Japão.

Gyurta e Jamieson: os mais rápídos nos 200m peito.

Na versão feminina, na semi a favorita Rebecca Soni abaixou seu próprio recorde mundial cravando 2:20, perdendo a chance de ser a primeira a abaixar dos 2m20s. Terá outra chance amanhã, mas sua preocupação maior será chegar em primeira. Absoluta nesta prova, atual campeã olímpica, sem ninguém por perto, é considerada a grande favorita. Não acredito em surpresa aqui.

Soni: sozinha nos 200m peito. (AP)

A espanhola Mireia Belmonte está numa verdadeira maratona em Londres, parecia dominar a prova, mas a chinesa Liuyang Jiao mandou um recorde olímpico para subir uma posição de quatro anos atrás. Sim, mais um bronze para o Japão com Natsumi Hoshi.

Pódium dos 200m borboleta: primeira medalha da Espanha.

Fechando o dia, um eletrizante revezamento 4×200m feminino, onde os EUA abocanharam sua 18a. medalha (oitava dourada) batendo uma Austrália (sua oitava medalha) e França (sexta medalha).

Ao final do quinto dia, o Japão está em 13o. na natação, com 7 bronzes.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero