Tag: Chad le Clos

  • Mandou bem, Mandela

    Muito se falou nestes últimos dias sobre Nelson Mandela, inclusive de como ele utilizou o esporte para unificar o povo. Se metade do que passou no filme Invictus foi verdade, ele deve já pode ser considerado um dos que mais soube tomar proveito da força do esporte (para um bem comum, deixo claro).

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    Mas o que dizer especificamente da natação sul-africana? Fácil de lembrar dos feitos de Chad le Clos, incluindo seu ouro olímpico em cima de ninguém menos do que o melhor atleta da história dos Jogos Olímpicos, em sua prova preferida! Mas a verdade é que o país vem bem nas piscinas olímpicas, tanto que está em 14o. (Brasil em 28o.)no ranking de medalhas olímpicas, com 15 medalhas, sendo 6 douradas.

    Agora, e se Mandela não tivesse logrado êxito e o apartheid existisse até hoje e o hiato de não participação olímpica 1964-1988 fosse ainda maior? Nada menos que 11 medalhas (5 dos 6 ouros) vieram depois do retorno em Barcelona-92.

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    Roland Schoeman com sua coleção pós Atenas.

    Primeira conta fácil é que a soma de Phelps incluiria mais um ouro, além de subir também do bronze para a prata no revezamento 4x100m livre de 2004, quando os sul-africanos bateram o recorde mundial na final.

    Segundo, Amanda Beard seria mais conhecida com seus dois ouros em casa, quando perdeu da ex-recordista mundial Penny Heyns tanto os 100 quanto os 200m peito.

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    Ouro para o revezamento sul-africano e olha a alegria do garoto de 19 anos.

    Terceiro, Terence Parkin não seria o único medalhista olímpico surdo em prova individual, prata nos 200m peito em Sydney. O americano Jeff Float levou o ouro no revezamento 4x200m livre em Los Angeles, mas talvez poderia sair com mais, se não fosse o boicote de Moscou-80. Além deles, Dave Wharton (prata nos 400m medley em Seul) também tinha problema, mas em apenas um ouvido.

    Por fim, acompanhem aqui a entrevista de Penny Heyns sobre Mandela e a entrevista de Chad le Clos sobre o impacto de Mandela no esporte do seu país, aqui.

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    Heyns com Mandela.
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    Le Clos encontra Parkin, ou seria o contrário?

     

     

     

  • WC 2013: 4 recordes mundiais no primeiro dia

    O circuito Copa do Mundo já teve diversas versões e a do ano passado parecia ter chegado no fundo, sem grandes nomes e sem nenhum recorde mundial. Assim mesmo, seus dois destaques, Katinka Hosszu e Chad le Clos, já tiveram bons resultados em Londres (ele bem melhor do que ela) e saíram do Mundial de Barcelona cada um com dois ouros.

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    Ho$$zu: 20 mil dólares já no primeiro dia.

    A etapa de Eidhoven, na piscina que leva o nome do ex-recordista mundial Pieter vd Hoogenband, aproveitou da proximidade do Mundial e acabou atraindo alguns campeões. E deu certo. Logo nas eliminatórias a húngara bateu o recorde mundial dos 200m medley, para depois abaixar mais de 1s à tarde para incríveis 2:03.20.

    O sul-africano retirou o último recorde em piscina curta que ainda era de um brasileiro (Kaio Márcio), abaixando apenas 7 centésimos do 1:49.11 que vinha de novembro de 2009.

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    Ranomi Kromowidjojo: pelo menos esta mídia vai saber dizer o nome dela corretamente.

    O último recorde do dia veio com outra campeã olímpica, Ranomi Kromowidjojo, a prata da casa que substituiu outra holandesa (Marleen Veldhuis), abaixando um mero centésimo com a nova marca de 23.24.

    Cada recorde mundial vale 10 mil dólares e ainda tem, ao final do circuito, 360 mil dólares a serem distribuídos para os 3 melhores atletas de cada gênero.

     

  • BCN2013 finais 7: tri de Cielo, mais recordes mundiais para as mulheres

    Cesar Cielo foi absoluto na prova. Levou o inédito tri não tão fácil quanto dois anos atrás, mas não deixou dúvida da sua superioridade. Melhor tempo sem trajes (21.32). Isso, lembrando, numa prova onde haviam 3 campeões olímpicos, ele foi o único dos 3 que medalhou – 6a. de ouro em mundiais! Quem se destacou na prova foi o campeonato americano universitário. Morozov, atual campeão da prova, Cielo, campeão em 2008 e Bovell, embora tenha ficado apenas em 4o. nesta prova no seu último ano, também nadou em Auburn como o brasileiro e foi 5 vezes campeão do NCAA. Ah, sim, e pela terceira vez, nenhum americano com medalha na prova.

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    Cielo: não importam os próximos dois anos, todos querem ver este choro no Rio.

    As americanas Missy Franklin e Katie Ladecky e a lituana Ruta Meylutite também vão fazendo história em Barcelona. Missy bateu o recorde do campeonato nos 200m costas e amanhã deve ser a primeira a conquistar 6 ouros no mesmo campeonato. Já a fundista bateu seu segundo recorde mundial, agora nos 800m livre, e saiu invicta com 4 ouros.

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    Ledecky desconhece outro degrau do pódium.

    Meylutite também estabeleceu duas novas marcas, hoje nos 50m peito. A marca antiga não durou nem 12h, já que foi estabelecida pela campeã dos 200m peito, a russa Yuliya Efimova, logo pelas eliminatórias. Será que a russa vai ganhar de outra recordista mundial amanhã, como nos 200m?

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    Meylutite: agora fica fácil lembrar as cores da bandeira lituana.

    Chad le Clos fez as últimas 5-6 braçadas dos 100m borboleta como se tivesse começando a nadar naquele momento e sagrou-se campeão. Provavelmente vamos vê-lo, assim como Katie, Missy e Ruta, ainda mais rápidos nos Jogos Olímpicos do Rio.

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    Le Clos, manias de menino, resultados de campeão.

     

     

  • BCN2013 finais 4: mais finais para o Brasil

    João Gomes Junior e Leo de Deus nadaram as finais de hoje, ficando em 5o. e 8o. nos 50m peito e 200m borboleta. O primeiro ficou a 16 centésimos do bronze, enquanto o segundo sentiu o final.

    Nas semi, Thiago Pereira, Marcelo Chierighini e Etiene Medeiros fizeram 3 das 4 finais possíveis para amanhã. Apenas Henrique Rodrigues não conseguiu passar nos 200m medley. Os 3 tem chances de medalhas!

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    Chierighini: amanhã volta para manter a tradição brasileira na prova nobre da natação.

    Chad le Clos ficou conhecido por bater Phelps ano passado nas olimpíadas, justamente em uma prova onde o americano não conhecia a derrota a mmmmmuito tempo, os 200m borboleta. Hoje o sul-africano entrou como favorito, mas acaba sendo até um mau exemplo para os nadadores mais jovens, por sua técnica e pela sua displicência ao nadar olhando para os dois lados. Chega a ser até uma falta de respeito com os adversários, pois dá impressão que ele está apenas controlando para chegar na frente e que é muito superior aos demais. Suas atitudes e entrevistas não demonstram isso, mas quero ver a dificuldade de um técnico querer corrigir seu nadador que está olhando para o lado agora…

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    Meninos: não tentem isso no seu treino.

    Chega a ser até uma falta de respeito com os adversários, pois dá impressão que ele está apenas controlando para chegar na frente e que é muito superior aos demais. Opa, eu já escrevi isso antes… Mas Sun Yang realmente “cozinhou” o restante nos 800m livre, para só distanciar nos últimos 100m.

    Missy Franklin desistiu de oito medalhas (saiu dos 50m costas), mas teve um aproveitamento de 100% até o momento, com sua vitória nos 200m livre.

     

  • Algoz de Phelps assina com agência

    Ele bateu o super campeão Michael Phelps nas Olimpíadas em uma de suas melhores provas. Mas a natação em seu país (que tem verde e amarelo) não é muito divulgada, reconhecida, valorizada (não necessariamente nesta ordem) e não teve o retorno que merecia/esperava. Pelo contrário, acabou até tendo um revés no mesmo ano olímpico.

    As semelhanças entre Chad le Clos e Thiago Pereira acabam aqui. O primeiro foi ouro, o segundo prata, em Londres 2012. O brasileiro ficou sem clube, enquanto o sul-africano não tinha apoio para ir ao Mundial.

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    Os rivais vão se encontrar apenas em eventos agora. (Facebook)

    Agora, le Clos assina com uma agência inglesa para tentar melhorar seus ativos. Além dele, a companhia tem em seu portfólio outra nadadora, a inglesa Fran Halsall, uma das esperanças de medalhas no ano passado que acabou decepcionando. Tom Daley, saltador que também era um dos favoritos e foi amplamente divulgado, ficou com o bronze e também faz parte dos que são representados pela Professional Sports Group.

  • Presentes para Le Clos

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    Inacreditável: nem eu acreditei que ganhei de Phelps.

    Ao fazer seus 21 aninhos, Chad Le Clos, o surpreendente vencedor dos 200m borboleta em Londres, recebeu um anel de ouro com diamante dos seus pais e o anúncio que a Penguin Books fará uma biografia da sua vida até o momento.

    “Unbelievable” (inacreditável) é um nome bem apropriado para a notável carreira do nadador sul-africano. A ideia é retratar os sacrifícios e os momentos inspiradores do atleta.

  • Balanço: EUA x Austrália x Inglaterra

    Numa rápida análise, percebemos que os americanos foram muito bem nas provas de natação em Londres. Por outro lado, a outra potência neste esporte, a Austrália, teve alguma dificuldade e saiu de lá com o pior desempenho desde 1976. No meio deles, a anfitriã também não conseguiu alcançar suas metas. O que aconteceu?

    Phelps: o melhor entre os melhores. (SI)

    Bom, Estados Unidos tem um nadador que, sozinho, perde apenas para seu próprio país e Austrália em termos de ouro. Ele fez diferença. Mas, mesmo que Phelps não estivesse nas piscinas, os EUA seriam bem representados e perderiam um ouro, talvez (100m borboleta). O problema (a solução, para eles) vem de uma quantidade incrível de multimedalhistas (4, entre os 5 com 5 ou mais), sua renovação espetacular, onde sua campanha foi a melhor desde 1984 (que não podemos comparar sem citar que houve boicote, mas não haviam as provas de 50m livre e 4×200m feminino).

    Mas, na minha modesta opinião, o diferencial deles reside no melhor sistema de esporte universitário mundial. Não há comparação com Europa ou Oceania que, aliás, tem muitos dos seus atletas lá. Problema para nós brasileiros: o sistema não parece ser aplicável aqui…

    Austrália: favoritos também caem. (Getty)

    Nem na Austrália, onde a previsão de ouro residia em seu velocista Magnussen. Sentiu o peso da responsa? Amarelou? Errou o treinamento? Não vamos saber. O que é certo é que eles amargam uma queda na posição no quadro geral e vão jogar a conta para sua natação. Com apenas um ouro no revezamento (algo que aconteceu pela última vez em 1976), o esporte recebeu severas críticas de sua imprensa.

    GB: o negócio é treinar para o Rio. (Getty)

    Almejando bater Pequim-2008 (2 ouros e 1 bronze), os britânicos sairam menores (1 prata, 2 bronzes) na sua própria casa. Seu Diretor de Performance, Michael Scott, foi categórico: “Nós esperávamos mais.” Com dinheiro (25 milhões de libras), centros de treinamento (5), fica difícil de achar uma resposta para porque os atletas simplesmente não alcançaram suas melhores marcas.

    Meu pitaco? O esporte não é uma ciência exata. Não podemos controlar os resultados de nossos adversários. Alguns são melhores que outros.

    Talvez seja melhor assim.


    Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero