Monthly Archives setembro 2011

A (des) organização do Pan

Centro Acuatico Scotiabank, capacidade máxima: 256 nadadores

A recente e polêmica decisão do (des)organização do Pan de Guadalajara (leia mais aqui), no México, deve trazer consequências para a natação, não apenas brasileira, mas nas maiores equipes, como os EUA e a própria anfitriã.

Explico, o primeiro critério de cortes é para aqueles nadadores que iriam nadar apenas os revezamentos. Apenas aqueles países que levam suas equipes completas, seja pelo custo, seja pela competitividade, acabam levando nem sempre os melhores da prova dos 100m livre para disputar os 4×100, por exemplo: acabam usando um atleta que já está lá para nadar um 100m borboleta ou costas, geralmente bons velocistas para completar o revezamento.

O impressionante é que já é um fato o problema de alojamento, tanto que nas Olimpíadas já existe um limite máximo de atletas, cerca de 10 mil, salvo engano. Descobriram só agora???

Problema: não adianta limitar os atletas e permitir novas modalidades, outras disputas, comissão técnica e administrativa cada vem maiores.

Claro que o rol de esportes deve passar sempre por uma renovação, até para atender demandas mais contemporâneas, e o mix com esportes tradicionais traz um charme a estes Jogos multiesportivos que, no meu entendimento, deve ser mantido.

Curiosamente, tivemos um problema semelhante de alojamento nos Jogos do Interior de Minas – JIMI (leia mais aqui). A saída encontrada pela Coordenação foi a alteração de alguns eventos. Esta solução não pode ser aplicada pela Odepa, mas será que não existiam outras alternativas ao penalizar o atleta que está de malas prontas?

Eu já tive uma grande decepção com uma pré-convocação, mas isto eu conto em uma próxima vez…


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

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Cesar Cielo – O Melhor

Crianças, não tentem isso com seu peito em casa. Cielo é um profissional.

Cesar Augusto Cielo Filho (mais ítalo-romano, difícil) é o cara. Fiquei pensando no que escrever sobre nosso maior destaque da natação, um dos maiores do esporte brasileiro (temos o futebol). Tudo já foi dito, falado, comentado, especulado sobre Cielo.

Pois bem, resolvi contar apenas pequenos dois episódios. Um é numa competição em Santos, antes da seleção ir para Atenas (minha memória nem os arquivos de resultados da CBDA me deixam lembrar ao certo). Nela, o comentário de Gustavo Borges quanto ao futuro de Cielo já estava claro. O comentário de Gustavo foi mais ou menos neste tom: “O linguição ali fica me dando p* no treino“. O apelido não pegou, mas a gana de vencer já vinha desde os treinos com o maior ídolo da época. Saindo da pequena Santa Bárbara D´Oeste (SP), Cielo sabia o que queria, e foi procurar o maior e melhor grupo de velocistas do mundo na Universidade de Auburn.

O resto já é história: tornou-se multi-campeão da campeonato universitário americano, que culminou com sua vitória olímpica nos 50m livre em Pequim 2008.

Mas antes deste ouro inédito vem o outro episódio. Como amante do esporte, ficava enganando o sono para assistir às finais no horário cruel que o fuso horário chinês nos impunha. Final dos 100m livre. Prova que já deu ao mundo um Tarzan (Johnny Weissmuller), o maior vencedor de uma olímpiada (Mark Spitz, até Phelps…), outro que quase igualou Spitz (Matt Biondi) e um russo que igualou o feito de ser bi-campeão olímpico nesta prova (Alexander Popov). Pois bem, nosso Cielo conseguiu entrar na grande final em 8o., vendo seus futuros oponentes nos 50m livre (sua especialidade) baterem recorde atrás de recorde. Não é que ele saiu com o bronze? Já estava emocionado com este resultado, mas fiquei ainda mais com a declaração, natural, do choroso medalhista dizendo que iria atrás do ouro nos 50m.

Cabe, neste momento, explicar qual era o cenário. O ano de 2008 foi pródigo em recordes mundiais. Quem bateu? A brincadeira da época era falar o nome do maiô, e não dos nadadores… Nada menos que 108 recordes foram quebrados ao longo daquele ano! Seus maiores adversários (Eamon Sullivan e Fred Bousquet) haviam abaixado 4 vezes a prova mais rápida da natação mundial – e estavam em Pequim. E não é que o brasileiro foi lá e saiu com a dourada? Demais, não?

Muita coisa se passou desde então: vitórias e recordes mundiais, mudança para o Brasil para treinar direto com Alberto Silva, Pro16, patrocínios, doping, maiô rasgado, fofocas, volta por cima e agora: Guadalajara 2011!

Bem, nada mais a declarar, o cara é… o cara.


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Brasil, um país de… gordos?

Na revista Veja desta semana saiu um reportagem sobre o O Estudo sobre Prática de Esportes, realizado pela consultoria Sport + Market. E o resultado que salta aos olhos é: de cada 10 brasileiros acima de 16 anos, impressionantes 6 são sedentários! Mulheres mais ainda…

A natação fica como o 5o. esporte mais praticado pelo país amante e praticante de futebol (disparado em primeiro). O potencial, em tese, é enorme para o desenvolvimento deste esporte que é até considerado de elite por alguns, mas a verdade é que pode ser praticado com muito pouco investimento (fora a manutenção de um parque aquático).

Maria Lenk, a primeira brasileira em Olimpíadas, continuou a nadar pelo resto de sua vida

Apesar de todas as pesquisas indicando e confirmando as diversas vantagens de ser ter uma vida ativa e pelo fato dos Jogos Olímpicos de 2016 serem realizados no Rio de Janeiro, o Brasil parece estar cada vez mais se espelhando no american way of life. Não que isso seja uma exclusividade do capitalismo, a China, mesmo com todo o investimento de Pequim 2008, também não consegue reverter esta chaga mundial: o sedentarismo.

Com a vitória do Brasil para sediar o Pan de 2007, muito foi dito e esperado. O resultado a maioria já conhece. Um dos grandes legados seria a cultura esportiva enraigada no povo brasileiro, além de outros como um maior conhecimento e disseminação de esportes não tão conhecidos. De novo, o resultado a maioria já conhece.

Outro dia assisti parte de um programa onde o “prefeito” de Los Angeles 1984 dizia para o Rio se preocupar com o legado social, pois havia sempre uma concentração, não justificada no ponto de vista dele, nas construções. Impressionante, não? Americano pensando em algo mais que dinheiro?

Os britânicos bem que tentaram. Investiram no melhor plano de esporte político que já vi (serve de referência para todo mundo). Tem estratégia em como fazer os ingleses praticarem mais esporte (claro, inciando nas escolas), bem como desenvolver o potencial olímpico. Nesta última parte eles parecem ter acertado na receita, mas recentemente admitiram que não conseguiram mobilizar a população da maneira como eles gostariam.

E o Brasil, como vai reagir a esta pesquisa?


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DOPING, O LEGADO PARA RIO 2016?

Desde a minha primeira experiência olímpica, tive a frustração de ver que o esporte, ou o espírito olímpico, não é respeitado. Em Seul 1988 tivemos o auge dos Jogos na disputa dos 100m rasos entre o canadense/jamaicano (desde aquela época a pequena ilha já brilhava) Ben Johnson e o americano Carl Lewis. Foi quase uma humilhação…

Dois dias depois (porque o resultado demora tanto hoje em dia????), sai o resultado positivo do canadense. Ai que humilhação…

Mas as suspeitas de doping não ficaram apenas nas pistas de atletismo. Eram as primeiras olimpíadas depois dos boicotes de Moscou e Los Angeles. Quem é melhor? EUA ou URSS? Leste ou Oeste? E esta rivalidade também foi para as piscinas coreanas.

Kristin Otto, alemã – oriental – saiu com 6 ouros de Seul (Getty)

A natação feminina (?) alemã brilhou e apenas 3 nadadoras não oriundas da Alemanha Oriental ganharam o ouro olímpico. Anos mais tarde, já no Mundial de 1994, em Roma, o domínio foi ainda maior, agora da China. As chinesas perderam apenas duas provas para a australiana Samantha Riley (que antes do Mundial do Rio 95 acabou também se envolvendo com suspeita de doping).

Mas este era um problema só de fora, certo? Errado. O Brasil tem o recorde de nadadores pegos em doping nos últimos anos. Mais uma mera coincidência? E os casos deste ano são ainda mais emblemáticos, com um campeão olímpico e uma experiente atleta. Qual o significado disso? Ninguém está imune. Hoje as substâncias surgem com uma velocidade impressionante. O cuidado deve ser redobrado – até neurótico.

Para subir ao pódium, Gustavo Borges teve que duvidar de tudo

Lembro em Atlanta 1996 quando Gustavo Borges simplesmente não tomava água de garrafa aberta. Naquele momento achei exagero, mas hoje entendo que a precaução era melhor do que se ver privado de duas medalhas olímpicas por um pequeno descuido. Sabotagem? Porque não?

A neura passa agora para acusaçao indiscriminada de tudo e todos. Não penso assim, mas concordo que a geração twitter quer tudo rápido demais e às vezes lança mão de artifícios para chegar a um resultado mais rapidamente. Ou tem muita gente disposta a treinar (mesmo) 6 horas por dia aí para representar o Brasil no Rio, em 2016?

Como o assunto é extenso, espero colaborações para poder comentar um pouco mais.


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Fabíola Molina – A empresária cosmopolita

A sorridente Fabíola tentará beijar mais medalhas em Guadalajara

E poderia ter colocado mais um tanto de atribuições para a paulista Fabíola Pulga Molina: esposa, atriz, religiosa, comentarista, mas uma delas é ser uma excelente nadadora.

Fabíola nadou e estudou na Universidade do Tennessee, bem como em diversos clubes e países do mundo inteiro! Com isso, aproveitou para disseminar sua coleção de natação e praia.

Na seleção panamericana desde Havana/1991 (furou Santo Domingo/2003), a versátil nadadora tentará elevar sua coleção de 5 medalhas.

Aliás, medalha e recordes é o que não falta em sua longeva carreira. Na sua página, a conta parou nas 1005! Para chegar a números surpreendentes como: 45 vezes campeã brasileira (será que já está contando as últimas conquistas em BH?), 49 medalhas em 39 participações no circuito de Copas do Mundo, 11 Mundiais, Fabíola sempre se reinventa. Daí agora estar novamente na Flórida (treinamos e moramos juntos em Coral Springs para Sydney/2000), sob a supervisão do ex-nadador Gustavo Calado.

O agora técnico é um especialista em uma ferramenta interessante de análise do nado e ficou conhecido no mundo aquático quando sua Virgina Tech foi atacada por um maluco, enquanto estudava e treinava naquela Universidade.

Mas o ano de 2011, que prometia com a ida ao Minas Tênis Clube, acabou sendo comprometido com a punição de dois meses pelo uso indevido de Metilhexanamina, substância que é encontrada em suplementos. Em sua defesa, falou que ganhou algumas amostras de um novo suplemento e a consequência deste descuido foi perder a vaga olímpica e seu décimo segundo Mundial! Que sirva de lição para os mais novos…

No meu próximo blog, neste fim de semana, mais sobre este assunto: DOPING, O LEGADO PARA RIO 2016?


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Rodrigo Castro – O experiente

Nicolas Oliveira, Lucas Salatta, Rodrigo Castro e Thiago Pereira – apenas o segundo não vai a Guadalajara

Rodrigo Octávio Coelho da Rocha e Castro é um dos mais experientes desta equipe. Convocado para sua quarta participação no Pan, ele vai defender o título no revezamento 4×200m livre, prova em que sobe ao pódium desde 1999. O mineiro passou recentemente por uma cirugia de apêndice, mas já está de volta aos treinamentos.

Rodriguinho passou uma grande temporada nos Estados Unidos, onde se formou em Economia (do jeito que é, digamos, comedido nos gastos, deve ter ensinado economia aos seus professores) e treinou com o lendário Mark Schubert. Para se ter uma ideia, o americano foi convocado para 8 Olimpíadas (tá certo que a primeira foi 1980, quando os EUA boicotaram). Ele ainda treinou um recordista mundial brasileiro: Ricardo Prado.

Treinando na Califórnia, acabou aperfeiçoando outro esporte aquático, o surfe. Além disso, curte tocar todo tipo de instrumento, inclusive uma bateria.

Ter alguém como ele na equipe certamente vai dar uma segurança aos novatos.


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Nicholas Santos – O retorno

Nicholas e Cielo querem o tetra no revezamento

O velocista Nicholas Santos, do Flamengo e do Pro16, teve um ano difícil. Envolvido com as suspeitas de doping, perdeu as vagas do Mundial e do Pan, mas acabou sendo absolvido pelo Tribunal Arbitral do Esporte. Depois do episódio, já declarou que está sendo muito mais cuidadoso com sua alimentação e suplementação.

Com o pedido de dispensa de Marco Antônio Macedo, foi convocado pela CBDA para o Pan de Guadalajara. Vai nadar o forte revezamento 4×100m livre, defendendo uma hegemonia que vem desde o Pan de Winnipeg/1999.

Agora o paulista de Ribeirão Preto, Nicholas Araújo Dias dos Santos, só pensa em dar a volta por cima no México. Experiente e com muitas medalhas internacionais no currículo, natação para isso ele tem, o que vai contar é sua cabeça.


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Graciele Hermann – a velocista novata

A gaúcha no seu clube, o GNU

Recentemente estive no Grêmio Náutico União. Não tive o prazer de rever a piscina que me deu as primeiras vitórias a nível nacional (estava em uma outra sede e a piscina do brasileiro juvenil de 1986 está passando por reforma). Conversando com meu ex-técnico Mirco Cevales, ele me mostrou a única atleta gaúcha (nataçã0) a ser convocada para o Pan: Graciele Hermann.

Desnecessário dizer que deve ser descendente de alemães e, portanto, com biotipo favorável. Está escalada para nadar os 50m livre. Vi um pouco do seu nado: é mais uma que adotou o estilo de braço reto fora da água. Deve ser eficiente (foram estabelecidos diversos recordes mundiais com esta técnica), mas eu particularmente não gosto – nada como um ombro alto…

Agora, fora isso e sua idade (18), fica difícil de descobrir algo mais. Como o COB ainda não lançou seu media guide (aqui o completo guia para imprensa da equipe das Olimpíadas de 2008) e a CBDA não tem (ou não achei) as fichas de seus melhores atletas e técnicos, não consegui mais nada.

Bem, como não sou repórter, estas informações para mim bastaram. E para você?


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Kaio Márcio – recordista mundial

A touca de Kaio mais parece capacete de piloto de Fórmula 1 (foto: Satiro Sodré)

Kaio Márcio Ferreira da Costa Almeida. Ufa, até para falar o nome completo dele precisamos de fôlego. Mas, pergunte aí se alguém conhece Kaio Márcio? Sabe que ele é recordista mundial? Mundial? É, munnnndo. O melhor. Ninguém nadou os 200m borboleta em piscina de 25m (semi-olímpica) mais rápido desde novembro de 2009. Mas o país olímpico não conhece seus melhores atletas? Pois é…

Aparentemente, fora este pequeno anonimato (claro que quem acompanha sabe de suas conquistas), ele vai bem, obrigado. De volta ao Rio de Janeiro, tem um rol de patrocinadores e faz parte do ousado projeto Time Rio. O contrato e o projeto prevê, além do recurso para o atleta, uma estrutura completa para manter o atleta treinando e competindo pela cidade do Rio de Janeiro. Investimento pesado. Além dele, tem os Correios, BNY Mellon, Univercidade e seu clube, o Fluminense (não deu para descobrir se tem alguém de material esportivo).

Mas nem todo este apoio o fez alcançar o objetivo durante o Mundial deste ano. Decepcionado com seu desempenho, Kaio e seu técnico Luiz Raphael vão para o Pan apenas em busca de medalhas (a altitude e o calendário não ajudam), já pensando em Londres 2012.


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O visto mexicano

Costumo dizer que, se não fosse a natação, o máximo de terra estrangeira que ia conhecer era o Paraguai (chiclete de bolinha) e Argentina (maçãs). Bem, felizmente tive a oportunidade de viajar bem mais que as terras de nossos hermanos, mas algo que sempre chateia é a burocracia para ir a certos lugares (EUA, logo depois do 11 de Setembro, não foi uma experiência agradável…).

quem tem visto americano não precisa deste

Dito isso, a menos de um mês do início do Pan (14/09), surpreendeu-me a notícia no site da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos – CBDA: Urgente! Visto para atletas e técnicos que irão ao México. Mas qual a surpresa? Bem, começa no leia mais, quando se abre a cópia do ofício do Comitê Olímpico Brasileiro datado de 12/08. Porque a informação foi repassada apenas um mês depois? Não havia nenhum convocado então, por isso? A outra, foi o detalhamento do procedimento para não-brasileiros, remetendo a um número considerável de estrangeiros (técnicos, provavelmente).

Não vai me surpreender se algum componente da equipe brasileira não tiver a documentação OK no dia do embarque… Pessoal: ojo!


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