Monthly Archives agosto 2012

O Finkel mais disputado dos últimos anos

Hoje, clássicos no futebol; ontem clássicos na natação. Competição é isso! Este Troféu José Finkel demonstrou que uma competição mais equilibrada eleva o nível dos resultados (e também das atitudes). A disputa do campeão (entre Flamengo e Minas) e do terceiro (entre Corinthians e Pinheiros) fez com que a última prova fosse a decisiva! Juntos, Pinheiros, Flamengo e Minas tem boa parte dos títulos.

Marieke Guehrer: rainha da Copa do Mundo, 4 anos atrás com van der Burgh. (AP)

Eu particularmente gosto assim, não porque o Minas foi campeão, mas sim porque o evento fica mais bacana. Não via algo assim desde 1989, quando quatro equipes chegaram ao último dia com condições reais de levar o título (sim, as mesmas 3 e o Curitibano). O destino quis que as últimas finais fossem cancelada por conta do caso de minigite de uma atleta e, pela primeira e única vez, não houve campeão declarado.

A contagem de pontos a cada prova, o incentivo de que cada ponto conta, a busca pelos recordes e seus pontos adicionais; tudo isso em condições não ideias para os melhores resultados. Assim mesmo, festival de recordes (24 de campeonato e 6 brasileiros/sul-americanos), além de 10 nadadores já com índice para o Mundial de Istambul.

Istambul: próxima parada internacional em dezembro.

Os destaques acabaram sendo os medalhistas olímpicos brasileiros e duas estrangeiras contratadas pelo Flamengo e Minas. Thiago Pereira conseguiu a maior pontuação entre os homens, com recordes e índices no pacote. Cesar Cielo foi o mais técnico com seus 50m livre (nadador que fez o resultado mais expressivo tecnicamente), mesmo título para sua “pupila” australiana Marieke Guehrer, enquanto a holandesa Frederike Heemskerk deu preciosos pontos ao Minas, que, alías venceu graças a força no feminino.

No mais, parabéns a todos!


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

José Finkel: recordes, índices e dúvidas

Recordes sul-americanos para Thiago Pereira (100m medley), Joanna Maranhão (200m costas), Guilherme Guido (50m costas) e o revezamento 4×50m livre do Flamengo, no Troféu José Finkel, que é realizado em SP, em piscina semi-olímpica (25m).  Destes, apenas a prova de Joanna é olímpica. Por enquanto… Surgiu um burburim que talvez incluíssem as provas de 50m estilos nos Jogos Olímpicos (apenas o livre foi inserido no programa em 1988), o que ia ajudar muito os brasileiros, já que estamos regularmente nas primeiras posições no ranking mundial nestas provas.

Guido: mais um recorde sul-americano para sua carreira.

Em plena ressaca olímpica, além de ajudar seu clube a alcançar nova marca continental, Cesar Cielo não reclamou das várias provas que teve que nadar antes de atingir sua segunda melhor marca sem os trajes nos 50m livre. Pior, numa piscina aberta, em pleno campeonato de inverno, que tem muita marola (que puder acompanhar pela Sportv vai entender o que estou falando) ele chegou a quase 1s à frente dos seus fortes adversários (lembrando que Fratus ficou apenas a 2 centésimos do bronze olímpico). E aqui vai minha primeira pergunta: porque nesta piscina?

Etiene: por enquanto em voo solo para Istambul. (Agif)

O campeonato serve como seletiva para o Mundial em piscina curta, em Istambul, e 8 atletas (apenas uma no feminino, Etiene Medeiros) já alcançaram o índice. Um deles foi Kaio Márcio, que está em dúvidas se vai valer a pena ou não deste campeonato.

O Finkel, assim como o Mundial e Olimpíadas, é disputado com semifinais nas provas de 200m para baixo. Minha segunda pergunta: para que? Afinal, a competição fica mais longa, os atletas tem que se desdobrar em diversas provas e hospedar por todo este tempo em São Paulo não deve estar ficando barato. Sei que a justificativa é justamente que o sistema é semelhante nos maiores campeonatos, mas -minha última – nosso Brasileiro é feito pensando apenas para aqueles que tem chance de chegar lá ou para todos?


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Balanço Olímpico: alguns números

O site italiano Nuotopuntoit, fez uma análise interessante sobre o desempenho por continente e países. Filtrei aqui os dois que achei mais relevantes:

  • Apenas 6 países tiveram representantes nas 32 provas (EUA, Austrália, Canadá, Grã Bretanha, China e Hungria). Coincidência ou não, todos apareceram entre os 19 países que medalharam, incluindo nas duas primeiras colocações.
  • Maiores presenças nas finais: EUA (60), Austrália (28), Grã Bretanha (23), China (20) e Japão (19). Tirando os anfitriões, eles estão entre os 10 melhores.

Éva Risztov: a húngara tem 57 títulos nacionais e sagrou-se campeão nos 10km em Londres.

Mas porque estes são os mais relevantes? Porque demonstram que a qualidade da equipe como um todo é que traz um bom desempenho geral e – ainda melhor – deixa uma esperança para o próximo ciclo olímpico. Não seria nenhuma surpresa se no Rio de Janeiro a Hungria despontasse entre as 5 melhores equipes, por exemplo. Mas, para isso, teremos que aguardar mais 4 anos…

E uma última novidade: Kirsty Coventry foi eleita para a Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Internacional, no mesmo ato que confirmou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, como membro honorário.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Próxima parada: Troféu José Finkel

Treinar, viajar e competir. Após Londres, os atletas geralmente quebram esta rotina. Para aqueles que tiveram sucesso: entrevistas, fotos, autógrafos. Para os que participaram: descanso, família, análise.

Pois os nadadores olímpicos não vão ter muita folga não, à partir de segunda já está em disputa o Troféu José Finkel – o Brasileiro de Inverno, com a participação de 445 atletas de 46 clubes. Os que vão disputar o título (Pinheiros, Flamengo, Corinthians e Minas Tênis) tem quase metade dos atletas da competição, sobrando uma média de menos de 6 nadadores aos clubes restantes.

A chorona Inge Dekker voltou com a prata de Londres. (AP)

Ao contrário do Maria Lenk, as contratações estrangeiras foram bem mais comedidas, apenas o Minas (com os holandesas Fred Heemskerk e Inge Dekker) e o Flamengo (com as australianas Mariecke Guehrer e Kelly Subbins). Estas foram contratadas através da agência de Cielo, a Cielo Sports.

A disputa vai até o próximo fim de semana quando, finalmente, nossos olímpicos terão o merecido descanso.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Balanço Olímpico: Brasil

Para fazer este balanço, vamos primeiro aos fatos:

  • O Brasil foi um dos 19 países a sair da piscina olímpica de Londres com medalhas;
  • Destes, 7 tiveram medalhas apenas com um atleta;
  • Haviam 950 atletas de 166 países competindo;
  • A natação brasileira fez a 3a. melhor campanha da história (perdeu para Pequim e Atlanta);
  • Apenas Thiago Pereira, Bruno Fratus e Felipe Lima melhoraram suas marcas, de uma equipe de 18 (não contei Poliana);
  • Foram cinco finais e 5 semi em 2012, contra 6 finais de Pequim.

Dito isso, acreditava em uma campanha melhor. Em todos os sentidos. Mais medalhas, com ao menos uma de ouro (não preciso dizer de quem). Mais semifinais e finais, os tempos credenciavam nossos atletas a isso. Não foi. Não deu. O próprio COB já se preocupa com este que é um dos esportes que mais dá medalhas. Outros esportes/atletas também decepcionaram, enquanto alguns faziam história ao conquistar suas primeiras.

Rio 2016: em busca dos melhores resultados.

O que fazer? Não há mais tempo? Será que o Brasil não é grande o suficiente para surgir uma Ruta Meilutyte (algum talento aí tem 11 anos e pode ser campeã olímpica no Rio!)? Temos piscinas suficientes? Nossos técnicos estão devidamente capacitados e em todas as regiões? Devemos montar um centro olímpico e fazer uma seleção permanente? Quais seriam os técnicos, neste caso? Estamos nos preocupando e agindo o suficiente sobre o doping?

Eu realmente acredito que no Rio de Janeiro vamos fazer nossa melhor campanha. Dentro do razoável, tudo o que nosso grupo de elite pediu/pedir, foi/será atendido. Assim, temos mais viagens, competições de nível, equipe multi-disciplinar acompanhando, materiais de última geração, etc. Ah, e dinheiro para os atletas. Mais: estaremos competindo em casa!

POr último, um pouco de sorte não faz mal a ninguém (que o diga Phelps), mas não substitui aquela receitinha básica: treino, treino, treino.

Que venha Rio-2016!


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Balanço olímpico: os pequenos notáveis

Oussama Mellouli (imaginem o problema de ter um nome destes) foi o primeiro. Primeiro na maratona aquática de Londres (10km). Primeiro a ganhar medalhas na piscina (bronze, nos 1500m) e em água abertas na mesma olimpíada. Primeiro africano a ganhar uma prova individual (1500m, em 2008). E, claro, o primeiro a fazer o mesmo, em tudo isso, para a Tunísia.

Mellouli: africano, mas treina nos EUA.

A Tunísia é um dos países que figura na frente do Brasil no quadro de medalhas (na natação, deixemos claro). Isso quer dizer que sua política esportiva para esta modalidade é melhor? O Brasil também ficou atrás da Bielorússia e a Lituânia (daqueles milhares de países da ex-União Soviética). Aliás, estes países ficaram à frente de Itália, Alemanha e Canadá. Será que a crise econômica chegou ao esporte apenas para os países ricos?

Aliaksandra Herasimenia, bielorussa (à esq): duas pratas para a holandesa Kromowidjojo. (AFP)

OK, Itália parece um tanto quebrado mas, mesmo assim, medir o desempenho apenas pelas medalhas é óbvio que traz distorções. Sim, é difícil fazer um sistema de pontuação que atenda a todos os interessados. Poderíamos considerar número de finais e/ou mais medalhas para os esportes coletivos, por exemplo. Mas o sistema, já dizia aquele filme, é ****.

Ruta Meilutyte: lituana, mas treina na Inglaterra.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Balanço olímpico: China x Japão

Os Estados Unidos continuam sua supremacia na piscina, mas a China teve um avanço considerável. Conquistou seus primeiros ouros no masculino (Sun Yang) e exibiu um novo talento precoce (Shiwen Ye), que juntos conquistaram seis das 10 medalhas do país, que acabou em segundo no quadro de medalhas.

Yang treina na Austrália, com técnico do ex-recordista mundial (Grant Hackett), Denis Cotterel. Ye, apesar de todas as suspeitas, tem uma consistência nos seus resultados (incluindo o polêmico final de prova matador) e também treina de vez em quando na Austrália. Lembrando, que este país caiu das 20 medalhas na China para metade agora em Londres.

Yang com Cotterel: a tal da globalização chegou às piscinas. (UPI)

Uma evolução não prevista, uma vez que eles tinham acabado de receber a última edição dos Jogos, conquistando em Beijing 6 medalhas.

O Japão sentiu a falta dos ouros de Kitajima e, mesmo tendo mais que dobrado o número de medalhas (5 em 2008 x 11 em 2012), pelo sistema eles cairam de 4o. para 9o. Para mim, é um caindo para cima! Sua força é justamente na dispersão (chegaram a diversas finais). Destaque para Ryosuke Irie e Satomi Suzuki, 3 medalhas para cada e com seus 22, 21 anos, respectivamente, assim como os chineses, é bem provável que os veremos em ação no Rio de Janeiro.

Suzuki: você não ouviu falar nela pois perdeu para recordistas mundiais. (Reuters)


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Balanço: EUA x Austrália x Inglaterra

Numa rápida análise, percebemos que os americanos foram muito bem nas provas de natação em Londres. Por outro lado, a outra potência neste esporte, a Austrália, teve alguma dificuldade e saiu de lá com o pior desempenho desde 1976. No meio deles, a anfitriã também não conseguiu alcançar suas metas. O que aconteceu?

Phelps: o melhor entre os melhores. (SI)

Bom, Estados Unidos tem um nadador que, sozinho, perde apenas para seu próprio país e Austrália em termos de ouro. Ele fez diferença. Mas, mesmo que Phelps não estivesse nas piscinas, os EUA seriam bem representados e perderiam um ouro, talvez (100m borboleta). O problema (a solução, para eles) vem de uma quantidade incrível de multimedalhistas (4, entre os 5 com 5 ou mais), sua renovação espetacular, onde sua campanha foi a melhor desde 1984 (que não podemos comparar sem citar que houve boicote, mas não haviam as provas de 50m livre e 4×200m feminino).

Mas, na minha modesta opinião, o diferencial deles reside no melhor sistema de esporte universitário mundial. Não há comparação com Europa ou Oceania que, aliás, tem muitos dos seus atletas lá. Problema para nós brasileiros: o sistema não parece ser aplicável aqui…

Austrália: favoritos também caem. (Getty)

Nem na Austrália, onde a previsão de ouro residia em seu velocista Magnussen. Sentiu o peso da responsa? Amarelou? Errou o treinamento? Não vamos saber. O que é certo é que eles amargam uma queda na posição no quadro geral e vão jogar a conta para sua natação. Com apenas um ouro no revezamento (algo que aconteceu pela última vez em 1976), o esporte recebeu severas críticas de sua imprensa.

GB: o negócio é treinar para o Rio. (Getty)

Almejando bater Pequim-2008 (2 ouros e 1 bronze), os britânicos sairam menores (1 prata, 2 bronzes) na sua própria casa. Seu Diretor de Performance, Michael Scott, foi categórico: “Nós esperávamos mais.” Com dinheiro (25 milhões de libras), centros de treinamento (5), fica difícil de achar uma resposta para porque os atletas simplesmente não alcançaram suas melhores marcas.

Meu pitaco? O esporte não é uma ciência exata. Não podemos controlar os resultados de nossos adversários. Alguns são melhores que outros.

Talvez seja melhor assim.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Jogos Olímpicos: o melhor nem sempre vence

A frase pode soar estranha, mas a verdade é essa: o melhor nem sempre venceu em Londres. Que ninguém tenha dúvida de que Cesar Cielo é o melhor nos 50m livre, ele não foi o mais rápido em Londres, mas manteve no topo do ranking mundial por 4 anos (em 2012, detém 3 das 5 melhores marcas do ano), tem o recorde olímpico e mundial. Ninguém nadou mais rápido que ele. Nunca. Ponto.

Biedermann: recordista mundial dos 200 e 400m sai sem medalha de Londres.

Nos Jogos Olímpicos, no entanto, não se olha para a marca, mas sim quem chega em primeiro. Então, de quatro em quatro anos, os atletas todos se reúnem para decidir quem está melhor naquele exato momento. Para se ter uma ideia, recordistas mundiais homens cairam na água 9 vezes nas 13 provas individuais para defenderem suas marcas e… perderam!

Já saiu de alguma entrevista, fez alguma reunião, enviou algum e-mail com aquela sensação de podia ter falado isso, não deveria ter escrito aquilo, etc? Pois é, agora imagine ter que ralar por mais 4 anos para reparar este pequeno deslize? Assim são as Olimpíadas, um pesadelo para alguns, o auge para outros – sem margem para erro.


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo

Lochte e a entrevista da urina na piscina

Ryan Lochte ficou famoso, muito famoso. Talvez não tanto quanto desejasse ao chegar a Londres, mas a quantidade de capas importantes, entrevistas com informações confidenciais de nadadores, já o colocam como um dos atletas mais conhecidos. #Jeah

Veja aqui o vídeo da entrevista.

Lochte comemorou seu niver de 28 anos esta semana. Estará no Rio?


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero

Leia o texto completo