As viagens olímpicas de Rogério Romero

Publicado em 08/08/16, aqui

Ele foi o primeiro nadador do mundo a participar de cinco edições de Jogos Olímpicos, o único brasileiro finalista em quatro e já começou a acertar suas previsões. Quando conversamos, no começo de julho, Rogério Romero cravou que Katinka Hosszú bateria recordes e conquistaria medalhas (assim mesmo, no plural) nessas Olimpíadas. No último sábado ela deu o primeiro passo para cumprir a profecia nos 400m medley. Agora é esperar para ver se as palavras de Rogério também dão sorte para os brasileiros. O ex-nadador (atual gerente de Esportes do Minas Tênis Clube) acredita que o nosso time pode levar duas medalhas na natação e ter o melhor resultado global do Brasil na Rio 2016.

Atlanta

Mas vamos falar de viagem, que é o que interessa? O esporte foi o ponto de partida de Rogério para conhecer o mundo.

Foi como atleta profissional que ele visitou a maior parte dos 40 países em que já esteve. Por isso mesmo, diz:

“Ás vezes eu fui, mas não conheci.”

A rotina pesada de treinos e competições quase não abria espaço para o turismo.

Ele saiu do Brasil pela primeira vez em 1987. Participou de uma competição em Maldonado, no Uruguai, de um campeonato universitário na Europa e foi treinar nos Estados Unidos, se preparando para a primeira Olimpíada.

Um ano depois, estava em Seul, na Coreia do Sul, numa época em que não existia internet e a globalização ainda não tinha acontecido. Foi lá que ele provou kiwi pela primeira vez e viu personalidades de pertinho.

Era mais difícil você conseguir informações sobre grandes atletas, então, eu assinava uma revista americana, mas chegava aqui com dois meses de delay.”

Rogério ficou emocionado ao se dar conta de que estava lado a lado com Matt Biondi (medalhista olímpico na natação em três Olimpíadas) e ainda encontrou Arnold Schwarzenegger, que fazia sucesso nas telas em O Predador. Nada disso tirou o foco da competição.

Você tem que estar lá no 110% naquele momento. […] Pra mim foi um sonho poder ver, curtir, todas as provas de natação e também participar de uma final olímpica.”

O ex-nadador pode não ter tido muito tempo para conhecer Seul, mas o Catraca Livre fez um post com cinco bons motivos para você ir à capital coreana. Já o Quanto Custa Viajar tem o cálculos dos valores que você vai gastar para passear por lá.

A segunda Olimpíada que Rogério disputou foi em 1992, em Barcelona. Para ele, um exemplo de Olimpíada perfeita e de bom legado dos Jogos numa cidade. O atleta tentou conhecer um pouco da capital catalã, mas o tempo livre foi curto. Em 2003, quando voltou para disputar outra competição, fez questão de tirar alguns momentos para o turismo.

Atletas de esportes muito populares não costumam ficar na Vila Olímpica para evitar o assédio. Apesar disso, às vezes, fazem visitas surpresas.  Na cidade espanhola Rogério perdeu a chance de estar com um dos times que mais admirava. A seleção americana de basquete foi à Vila. Ele até queria tietar o Dream Team, mas não estava no setor por onde eles passaram.

Se ele não encontrou com o time de basquete, pelo menos já esteve diante de um presidente americano. Em 96, em Atlanta, Rogério viu Bill Clinton.

O ex-nadador não quis eleger uma Olimpíada preferida, mas foi em 2000, em Sidney, que ele conquistou o melhor resultado.

Ficou em sétimo lugar geral na categoria nos 200m costas, depois de investir num longo treinamento, morando um tempo nos Estados Unidos.

Já em 2004, em Atenas, o clima era outro. Rogério se despedia das Olimpíadas e decidiu viver o momento de maneira relaxada, passeou bastante pela capital grega, se divertiu com o clima da Vila, aproveitou com alegria a despedida.

As histórias mais inusitadas das viagens do atleta não são de Olimpíadas. Nos Jogos, a concentração é total e o espaço para aventuras fica pequeno. Em outros torneios, há mais espaço para vivências além da esportiva.

Em 87, por exemplo, num campeonato universitário na Europa, ele resolveu adiar a volta ao Brasil e fez uma viagem de trem passando por seis países. Como o dinheiro era curto, comprava passagens noturnas e dormia nos trens.

Em Split, quando ainda existia a Iugoslávia, ele e outro nadador alugaram uma bicicleta para desbravar a cidade e acabaram numa praia de nudismo.

Em Roma a surpresa não foi boa. O técnico de Rogério teve a carteira furtada. A sensação de impotência bateu à porta.

Num campeonato na China a dieta foi à base de pizza e hambúrguer para evitar as comidas não identificadas que eram servidas.

Em Liechtenstein ele teve tempo para percorrer o país de carro, e, apesar de dizer que não viu nada muito interessante, adorou a experiência.

Boa parte desses casos é de uma época pré fotografia digital. Um tempo em que, para Rogério, era muito mais fácil para o atleta ser uma personalidade pública.

Se antes as coisas eram selecionadas naturalmente, hoje, dificilmente você seleciona. Você está sendo filmado, fotografado, ouvido, o tempo todo.”

Como dirigente esportivo, ele está sempre alertando os jovens sobre os cuidados necessários com as redes sociais e os perigos da superexposição e lembra que a imagem construída nas redes acaba moldando a visão sobre o esportista.

Ainda assim, o ex-nadador lembra que o atleta é um extrato da população, por isso, é uma ilusão esperar que todos sejam um exemplo de conduta.

Em relação à delegação brasileira de natação, ele diz que o fator casa é um diferencial e precisa ser aproveitado por quem está competindo. Para Rogério, a equipe está bem consistente e cita Ítalo Duarte, Etiene Medeiros e Thiago Pereira como alguns dos que podem ter os melhores resultados.

No quadro geral, ele diz que a seleção americana ainda é A seleção a ser batida. Atrás dela estão Austrália, Alemanha, Japão, Rússia e o próprio Brasil.

O menino de Londrina que conheceu o mundo pelas piscinas fez a gente mergulhar com ele nas viagens do esporte.

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