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Competição Natação Rio 2016

E o Missil falhou de novo

Ninguém pode negar que ele é hoje o velocista mais regular do mundo. Com 18 marcas na casa dos 47s, James Magnussen já tinha chegado a Londres em 2012 com uma credencial impressionante, a melhor marca sem os trajes tecnológicos: 47.10. Como ainda na natação quem ganha é quem chega na frente, ele amargou uma prata por apenas um centésimo do americano Nathan Adrian.

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McEvoy, desfocado ao lado de Magnussen e Sullivan, que é o mais rápido deste ano nos 50m livre. (ABC)

2014 parecia ser a redenção do australiano. Iniciou o ano com performances arrasadoras e parecia estar absoluto para mais uma vitória no campeonato nacional. Parecia… Como ainda na natação quem ganha é quem chega na frente, ele amargou mais uma prata. Desta vez para o jovem mais rápido da história: Cameron McEvoy e seu 47.65.

Vamos às teorias:
1. Ele pipoca. Simples assim. Tempos rápidos em torneios com pouco expressão, mas na hora que o bicho pega, ele não absorve bem a pressão;
2. Ele guardou o melhor para as competições internacionais. Seus tempos foram tão bons na temporada, que ele relaxou e passou por cima do campeonato nacional, crente que seria convocado. Não vi nenhuma declaração neste sentido, mas quem sabe pode ser alguma estratégia para deixar os adversários mais confiantes;
3. Errou o polimento, ou seja, acabou descansando demais (ou de menos) para esta competição. Se for isso, melhor ele e seu técnico acertarem na medida para o Pan Pacífico.

Descoberto.
Descoberto.

Não é nenhum desmérito perder para outro grande talento, mas realmente esperava mais dele. Agora as fichas podem estar migrando para McEvoy… Filho de psicóloga (será que é esta a vantagem?), ganhou muita musculatura no último ano (mas ainda está longe de seus concorrentes), deu a segunda marca australiana nos 200m livre (perdendo apenas de um tal de Ian Thorpe)… enfim, o garoto certamente vai dar o que falar.

 

 

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Natação recorde

Recorde de Cielo ameaçado

O campeonato australiano começou hoje na bonita Brisbane.  Sendo seletiva para o Pan Pacífico, Olimpíada da Juventude e Commonwealth Games, os ausies mostraram já no primeiro dia que estão dispostos a colocar um ponto final nas polêmicas de seus (ex)atletas e voltar a ser a potência respeitada e temida que todos conhecemos.

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McKeon: a Austrália não para de produzir novos nomes.

Recorde nacional e melhor marca do ano graças aos irmãos David e Emma McKeon, 400m livre com 3:43.72 e 1:55.69, respectivamente, além de outro primeiro do ranking mundial nos 200m peito com os 2:08.63 de Christian Sprenger, foram os destaques deste primeiro dia.

Mas a expectativa é para o que sua estrela maior, James Magnussen,tem para mostrar. Após um início de temporada irrepreensível, seu técnico holandês (sinais da globalização) aguarda nada menos que o recorde mundial nos 100m livre, marca que pertence a Cesar Cielo desde 2009, último ano dos trajes tecnológicos.

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Competição

Ooops, ele fez de novo

James Magnussen fez a melhor marca do ano, de novo. Agora nos 50m livre, com 21.52 (4a. marca sem os trajes tecnológicos).Sua declaração após a prova foi meio óbvia, dizendo que sentiu rápido, saiu bem, estava leve, etc. Só faltava ele falar que estava pesado…

Seu homônimo, James Roberts, alegou que ficou doente ano passado antes de Londres, tendo perdido 4kg.

Belinda Hocking também está no topo do ranking 2013, nos 200m costas com 2:07.17. Em Barcelona ela deve melhorar sua oitava posição olímpica.

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Hocking: não, ela não vai trainar assim (crédito: Zimbio)

 

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Natação

A ciência australiana e o 1% que faz diferença

A ciência esportiva ajuda a ganhar aqueles preciosos centésimos que fazem a diferença entre a cor de uma medalha. Neste vídeo do campeonato australiano, dá para entender porque eles devem ser sempre considerados fortes adversários.

Sim, grande parte também é feita no Brasil, mas me impressionou a questão do programa para os técnicos terem um feedback automático. Além disso, não sei exatamente quais nadadores tem direito a fazer parte deste programa, mas pareceram muitos…

 Crianças, não tentem a parte da água gelada.

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Barcelona 2013 Competição

Fênix Magnussen

A Austrália, que está realizando seu campeonato nacional em Adelaide, passou por um inferno astral nos últimos meses. Seus favoritos em Londres não se confirmaram. A segunda nação em número de medalhas, viu minguar as 20 de Pequim para 10 em Londres. Seus atletas foram acusados de não levar a sério os Jogos Olímpicos e também de tomar Stilnox (droga não considerada doping, mas proibida pelos médicos) – e confirmaram. O orçamento da natação também foi reduzido…

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Nadadores assumindo seus erros (Reuters)

Com tudo isso, era de se esperar que os resultados não viessem, certo? Errado! Eles parecem ter aprendido a lição (vamos ver um segundo capítulo desta novela em Barcelona) e colocaram vários nomes no ranking mundial, entre eles um dos grandes fracassos do ano passado: James Magnussen. O Missil, como é chamado, vinha como franco favorito nos 100m livre, além do revezamento ser uma barbada. A surpresa foi geral nas duas provas.

Mas Magnussen está de volta. Com seu 47.53, não deixa dúvidas de que do seu potencial. Além dele, o revezamento australiano tem mais 2 atletas entre os 10 melhores do ano. Christian Sprenger tirou a liderança mundial de João Gomes Jr, com o recorde nacional dos 50m peito (26.90). Grant Irvine também está no topo nos 200m borboleta (1:55.32), assim como Cate Campbell nos 100m livre (52.83).

Pois é, se a matemática pura e simples permanecer, já são 5 ouros no Mundial, apenas nos citados aqui.

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Cate celebra vitória nos 50m livre com sua irmã Bronte (crédito: Quinn Rooney)

 

 

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Competição Natação

Recorde de Thorpe sobrevive a Chamlers

O menino Kyle Chalmers, 14, saiu com 5 ouros do campeonato juvenil australiano, em Adelaide, mas não conseguiu bater a marca de Ian Thorpe de mais de 15 anos atrás, nos 200m livre.

Shayna Jack, 14, foi a versão feminina de Chamlers, dominando as provas da sua idade. Na prova mais rápida, os 50m livre, ficou a espantosos 1.36s à frente da segunda colocada, com seu 25.50.

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Jack: foi difícil achar uma foto da menina. (Facebook)

Aqui, podemos vê-la em ação, durante o Open dos EUA em Omaha, ano passado. Claro que ela não venceu, mas a prova é interessante de se ver por conta de… Bem, se tiver interessado, são apenas 3 minutinhos.

Não será surpresa de vê-los na piscina olímpica do Rio, daqui a 3 anos.

 

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Competição Natação

Kyle Chamlers: o próximo Thorpe? (ou Popov… ou Cielo…)

Vocês conhecem a história. Australiano, garoto prodígio, tempos excepcionais desde muito cedo, pés ennnnormes. Sim, é ele, o mini-Thorpedo, Kyle Chamlers. Assim como Ian Thorpe, Chamlers pode debutar nas Olimpíadas (Rio!!) com apenas 17 anos e, se continuar com esta evolução, pode até sair com 3 ouros como seu compatriota.

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Kyle, ainda com 13, é este atrás dos pés.

OK, natação não é uma ciência exata, mas o garoto tem telento. Com apenas 14 anos, fez tempos nos 50 e 100m livre que estariam em grande parte das finais de campeonatos nacionais: 23.18 e 50.86. Para termos noção destas marcas, o site SwimNews coloca como melhor marca mundial para sua idade. Cielo, com 16 anos, marcou 23.61. Pieter vd Hogenband? 23.70, mas com dois anos a mais também. O atual campeão olímpico, Florent Manadou, abaixou de 23s apenas com 20 anos…

Ah, e ele é filho de um ex-jogador de futebol, outro esporte que ainda pratica.

 

O Finkel mais disputado dos últimos anos

Hoje, clássicos no futebol; ontem clássicos na natação. Competição é isso! Este Troféu José Finkel demonstrou que uma competição mais equilibrada eleva o nível dos resultados (e também das atitudes). A disputa do campeão (entre Flamengo e Minas) e do terceiro (entre Corinthians e Pinheiros) fez com que a última prova fosse a decisiva! Juntos, Pinheiros, Flamengo e Minas tem boa parte dos títulos.

Marieke Guehrer: rainha da Copa do Mundo, 4 anos atrás com van der Burgh. (AP)

Eu particularmente gosto assim, não porque o Minas foi campeão, mas sim porque o evento fica mais bacana. Não via algo assim desde 1989, quando quatro equipes chegaram ao último dia com condições reais de levar o título (sim, as mesmas 3 e o Curitibano). O destino quis que as últimas finais fossem cancelada por conta do caso de minigite de uma atleta e, pela primeira e única vez, não houve campeão declarado.

A contagem de pontos a cada prova, o incentivo de que cada ponto conta, a busca pelos recordes e seus pontos adicionais; tudo isso em condições não ideias para os melhores resultados. Assim mesmo, festival de recordes (24 de campeonato e 6 brasileiros/sul-americanos), além de 10 nadadores já com índice para o Mundial de Istambul.

Istambul: próxima parada internacional em dezembro.

Os destaques acabaram sendo os medalhistas olímpicos brasileiros e duas estrangeiras contratadas pelo Flamengo e Minas. Thiago Pereira conseguiu a maior pontuação entre os homens, com recordes e índices no pacote. Cesar Cielo foi o mais técnico com seus 50m livre (nadador que fez o resultado mais expressivo tecnicamente), mesmo título para sua “pupila” australiana Marieke Guehrer, enquanto a holandesa Frederike Heemskerk deu preciosos pontos ao Minas, que, alías venceu graças a força no feminino.

No mais, parabéns a todos!


Este texto foi originalmente publicado no site do iG (colunistas.ig.com.br/rogerioromero