Barcelona 1992-2003-2013

Publicado em 03/07/2013, aqui

A cerimônia de abertura do Mundial de Barcelona ocorre daqui 16 dias, e o primeiro evento de natação, no dia 20, é a prova de águas abertas dos 5 km. Entre os competidores, estarão a húngara Eva Risztov e a alemã Angela Maurer

As experimentadas nadadoras estão entre os atletas que estarão neste mundial que também disputaram a edição de 2003, que também aconteceu em Barcelona. O que nos faz pensar: quem esteve na capital catalã há 10 anos e que estará de volta este ano?

Indo um pouco mais longe, em 1992 Barcelona sediou os Jogos Olímpicos. Alguns nadadores que nadaram aquela Olimpíada estiveram de volta em 2003 para nadar o Mundial. Exemplos notáveis são o russo Alexander Popov e o brasileiro Gustavo Borges, campeão e vice dos 100m livre, que também nadaram 10 anos depois – o mundial de 2003, inclusive, representou o último grande momento de Popov, que a exemplo de 1992 conquistou os 50m e 100m livre.

Além de Popov, somente outras duas atletas medalharam nas duas competições. A americana Jenny Thompson, vice-campeã olímpica nos 100m livre em 1992, foi um dos destaques de 2003, ao vencer os 100m borboleta. A alemã Jana Henke foi bronze nos 800m livre em 1992 e terminou na mesma posição nos 1500m livre 11 anos depois. Mas alguns destaques de 2003 já nadavam em alto nível em 1992 e competiram aquela Olimpíada, como a holandesa Inge de Bruijn (ouro nos 50m livre e borboleta), a eslovaca Martina Moracvoca (prata nos 200m livre e bronze nos 100m borboleta), a espanhola Nina Zhivanevskaya (ouro nos 50m costas) e o britânico Mark Foster (prata nos 50m livre).

Além de Gustavo Borges, somente outro brasileiro nadou em 1992 e 2003: Rogério Romero.

Por isso, é de se esperar que algumas estrelas de 2013 tenham competido em 2003 e até medalhado naquele campeonato. Senão vejamos.

Talvez o maior astro de 10 anos atrás que competirá este ano é o japonês Kosuke Kitajima. Em 2003, ele teve sua primeira grande performance em nível mundial, ao vencer os 100m e 200m peito com recordes mundiais. Hoje, é um dos maiores nadadores da história do nado de peito, único a vencer os 100m e 200m em dois Jogos Olímpicos. Este ano, irá para Barcelona a princípio para nadar o revezamento 4x100m medley. Ele não alcançou o forte índice estabelecido para a federação japonesa na prova individual, mas como estará lá, poderá ser inscrito. E, uma vez na prova, não pode ser ignorado como candidato ao pódio.

A húngara Eva Risztov também foi um grande nome da competição de 2003, ao conquistar três medalhas de prata (400m livre, 200m borboleta e 400m medley). Após alguns anos sem nadar, voltou em 2011 para nadar águas abertas e acabou sendo campeã olímpica dos 10km em Londres. Em Barcelona, a princípio, tentará o título nas três provas de águas abertas (5km, 10km e 25km). Há 10 anos, ela nadou algumas das provas mais duras na piscina do Palau Saint Jordi. E agora se prepara para nadar distâncias ainda mais longas.

O húngaro Laszlo Cseh e o tunisiano Oussama Mellouli dividiram o pódio nos 400m medley em 2003, atrás de Michael Phelps. Hoje, são consagrados: Cseh tem quatro medalhas olímpicas e Mellouli é o único nadador campeão na piscina (1500m em 2008) e nas águas abertas (10km em 2012). Cseh novamente será um dos candidatos ao pódio nas provas de medley, e Mellouli tentará ter sucesso nos 5km e 10km. Cseh relembra que era um jovem deslumbrado em 2003 que nem notou que a piscina construída no Palau Saint Jordi era temporária (“achei que fosse um complexo aquático fixo”) e que teve problemas antes dos 400m medley: “Sentia uma dor enorme no ombro e nem consegui aquecer. Por isso foi uma surpresa muito grande quando terminei a prova atrás somente de Phelps e muito perto do recorde mundial. Este ano espero ter outro verão maravilhoso em Barcelona.”

A americana Natalie Coughlin era a melhor nadadora do mundo e deveria ter sido grande destaque em 2003. No entanto, uma doença justo durante o Mundial lhe privou de muitas conquistas (conquistou somente medalhas com revezamentos). Mas nos anos seguintes se tornou a maior medalhista olímpica na natação feminina e este ano irá para Barcelona para nadar os 50m livre.

O francês Frederick Bousquet não foi medalhista individual em 2003, mas sua performance no revezamento 4x100m livre chocou o mundo: fechando para 47s03 (apenas um centésimo acima da melhor parcial da história na época, de Pieter van den Hoogenband), tirou a França de um sétimo lugar e conquistou um improvável bronze. “Pieter Hoogenband e Alexander Popov vieram me parabenizar. Foi maravilhoso!” Hoje, é um dos melhores velocistas do mundo (já foi recordista mundial dos 50m livre) e terá em Barcelona chances de medalha nos 50m livre e borboleta. “10 anos depois, ainda estou na seleção francesa e irei disputar meu sexto mundial. Nada mal!”

Os russos Arkady Vyatchanin e Evgueni Korotyshkin foram duas revelações da forte equipe que a Rússia apresentou em 2003. O primeiro foi  prata nos 100m costas e o segundo, bronze nos 50m borboleta. “É a medalha mais bonita que já vi”, diz Korotyshkin. “Estava no começo da minha carreira internacional e foi lá que percebi que amava a natação.” Hoje, ambos são medalhistas olímpicos: Korotyshkin foi prata nos 100m borboleta em Londres-2012 e Vyatchanin foi bronze nos 100m e 200m costas em 2008. Este ano, em Barcelona, Vyatchanin brigaria por pódio, mas resolveu não nadar devido a desavenças com a federação russa e está à procura de outra nacionalidade. Korotyshkin estará lá e, com a aposentadoria de Michael Phelps, será um dos mais fortes candidatos ao ouro nos 100m borboleta. “Barcelona sempre será um lugar especial para mim, e darei meu melhor no próximo Mundial.”

Hanna-Maria Seppala, finlandesa campeã mundial dos 100m livre em 2003 aos 18 anos, voltará a Barcelona, mas desta vez sem muitas chances de chegar ao pódio. A alemã Angela Maurer, pelo contrário, foi prata nos 10km e bronze nos 25km há 10 anos e ainda está entre as melhores do mundo.

Entre os brasileiros, dois faziam suas estreias em Mundiais em 2003, e hoje já estão entre os melhores nadadores da história do país. Na ocasião, Joanna Maranhão terminou sua especialidade, os 400m medley, na 15ª posição. Evoluiu tremendamente em um ano para conquistar a quinta colocação nos Jogos Olímpicos de Atenas. Hoje, continua como a melhor nadadora do país. Thiago Pereira teve como melhor performance a 18ª posição nos 200m medley, superando o recorde sul-americano da prova. A exemplo de Joanna, foi quinto colocado em Atenas.

Hoje, Thiago é medalhista olímpico, recordista brasileiro de medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos, campeão e recordista mundial em piscina curta… “O Mundial será especial pra mim. Em 2003, fiz a minha estreia na competição. Era um momento diferente, pois tinha acabado de sair do juvenil e pude interagir com os melhores da natação”, disse Thiago durante o Troféu Maria Lenk, em maio, ressaltando a importância daquele campeonato para ele.

Joanna e Thiago esperam agora fazer o que fizeram, por exemplo, Inge de Bruijn e Mark Foster em 2003: brilhar em Barcelona uma década depois de lá estrearem.

(as declarações dos nadadores estrangeiros foram concedidas à ultima edição da revista da Fina)

Por Daniel Takata

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